Demon Knights #5 – Esse Paul Cornell tem dado em casa!

Por Venerável Victor “mestre absoluto de Vampire e Marvel”  Vaughan

Resenha de Demon Knights #5  SPOILERS

A pressão só aumenta para os aldeões enquanto a Horda prepara-se para a derrubada ao amanhecer do muro, e a inevitável invasão a aldeia de Little Spring, mas do outro lado desse mesmo muro, os Cavaleiros demônios caem um no pescoço do outro, ameaçando essa frágil aliança, e ter o inimigo sussurrando nos seus ouvidos não ajuda nada. E no fim, um aliado mudará de lado.

Eu acredito piamente que em algum momento de sua vida, Paul Cornell jogava RPG, mas precisamente D&D e aqui nessa revista ele encontrou uma forma de exercitar seus dotes de “mestre” e “jogador” novamente. Para quem não esteve encarnado nesse planeta nos últimos trinta ou quarenta anos e não é um iniciado, Dangeons & Dragons é um jogo baseado ou inspirado nos romances de ficção de Tolkien, onde cada jogador escolhe um personagem e recebe uma missão para ser completada pelo “Dungeon Master”, que arquiteta uma trama que os jogadores a princípio desconhecem. Eles tomam decisões, jogam os dados para obter sucesso ou fracasso em suas ações e tem que viver com essas conseqüências.

Em Demon Knights, nos é apresentado um grupo de personagens fantásticos com muito pouco em comum, exatamente igual ao tradicional D&D: um cavaleiro, um demônio, uma arqueira, um bárbaro, uma feiticeira, um guerreiro… todos trabalhando juntos, na maior parte do tempo. E essa edição # 5 parece exatamente uma aventura de RPG, com o “Mestre” deliberando a cada um dos jogadores um desafio individual em uma espécie de teste. Cada um deles recebe a visita do feiticeiro Mordru e uma oferta tentadora. A Mulher-Cavalo recebe a melhor…

Eu consigo ouvir Paul Cornell em volta de uma roda de jogadores, falando: “agora podem jogar o dado para saber se vocês vão ter êxito em resistir ou não! Todo mundo fazendo check in de força de vontade”

E é isso que acontece, Mordru e a Rainha da Horda, descobrem que Etrigan, o demônio está entre os sete guerreiros que se opõe a passagem de suas tropas pelo vilarejo, em busca da conquista de uma cidade muito maior chamada Alba Serun – o real objetivo de por que Alba Serun é tão importante ainda não é totalmente claro, sabemos apenas que a Rainha da Horda também, assim como Merlin, busca achar o Santo Graal e fundar uma nova Camelot. Eles decidem que para poupar maior desgaste de suas forças, a melhor opção é usar de magia e contactar um por um dos “heróis” na tentativa de conseguir algum desertor, para o seu lado. E Vandal Savage mostra sua verdadeira face.

Devotos, eu amo esse título, com certeza minha série preferida da DC nos últimos tempos, ela está intimamente ligada a outro título: Stormwatch – quem leu essa revista esse mês viu que a famosa caixa onde Merlin guardou o Graal e o motivo do ataque da Horda aqui, está segura na sala de troféus da equipe no futuro/presente. E ambos não estão vendendo tão bem como batgirl ou Liga da Justiça, uma pena.

Tantas coisas boas aqui, a capa, como todas as outras desde que a revista estreou é fantástica, apesar dessa cena não acontecer de fato – sim Al Jabr adoraria poder descer a porrada em Etrigan pelo que ele fez ao padre da aldeia duas edições atrás – e sim algo como um ligeiro mal estar, entre eles. E a arte interna de Diógenes Neves não deixa nada a desejar, muito pelo contrário, ainda junto com o outro brazuca Ivan Reis – Aquaman – é uma das mais lindas da editora.

Finalmente nesse número nós temos grandes interações entre os personagens e revelações sobre um pouco do passado e motivações de Al Jabr, Mulher-Cavalo (Horsewoman) e Exoristos (“Dente do Diabo” em grego) principalmente. Temos sim esclarecimentos de muita coisa, mas feita com muita inteligência e se encaixando perfeitamente no enredo. Aliás, como é que Cornell consegue fazer isso tão bem aqui e sofre pra fazer o mesmo em Stormwatch? Bom, ele deve estar passando por muita pressão – assim como os cidadões de Little Springs – editorial, tanto que está abandonando esse título. Aqui todos os sete cavaleiros são interessantes e divertidos de acompanhar. Lembram que quadrinhos são feitos para nos divertir?

A velocidade da narrativa é perfeita em minha opinião, o enredo está sempre avançando, mas você nunca se sente perdendo alguma coisa. A espinha dorsal da história é interessante e relativamente fácil de seguir e a cada final de edição, você fica querendo mais e mais que o mês termine para o novo número chegar.

O título desse capítulo se chama “O Traidor”, o que implica que um dos membros desse “time” iria mostrar suas verdadeiras cores. Assim acontece, o personagem que Paul Cornell aponta para tanto é uma escolha que faz sentido se você já acompanhou alguma vez esse personagem antes desse novo universo DC. Quer saber? Os vilões são muito sem graça – mesmo Mordru aqui – e ter Vandal juntando forças com eles, pode salvar essas caracterizações bi-dimensionais deles.

Mas eu ainda não acho que Jason Blood está recebendo a atenção que merece, muito menos seu alter ego, Etrigan. Afinal de contas muita gente busca a revista atraído pela oportunidade de ver o personagem demoníaco de Jack Kirby em ação. No entanto, uma coisa é certa, apesar de ele ser o garoto propaganda do título, difícil dizer qual cavaleiro demônio é o mais cativante.

Uma grande oportunidade aqui, se você ainda não entrou nesse bonde demoníaco, não faz tanta questão de detalhes e tem preguiça de buscar as primeiras quatro edições anteriores, esse é o momento certo para subir a bordo! O Santuário recomenda.

11 comentários sobre “Demon Knights #5 – Esse Paul Cornell tem dado em casa!

  1. Ouvi sobre o Diógenes no podcast MDM(Melhores do Mundo)que tinha como tema:Séries de Tv.Fiquei muito cético em relação ao trabalho deste,pelo fato de não conhecê-lo,Mas li a primeira edição por influência do Santuário,e gostei muito,não só do desenho,mas também do roteiro.
    Abraço;

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  2. EU FALEI SOBRE O DIOGENES É FODA! QUANTO A ESSA REVISTA? SABIA QUE IA SER FODA E A CONSIDERO UMA DAS MELHORES.! HOJE ACHO ELE UM DOS PRINCIPAIS DESENHISTAS DE COMICS.
    E DISSE ISSO A ELE.
    JÁ FALEI UMA VEZ AQUI.
    ELE ME DISSE QUE TENTOU DESENHAR PROS AMERICANOS VÁRIAS VEZES E DISSE QUE POR MUITOS ANOS FOI REPROVADO EM TESTES PROS CARAS! É MOLE?
    FODA! FODA!
    FODA MESMO É A SUA BELA RESENHA VICTOR! KKKK…ME RACHO COM AS SUAS MATÉRIAS!
    QUE SÃO COMPETENTES, BELAS DE SE VER E ENGRAÇADAS. PARECE QUE VEJO VOCÊ LENDO ISSO!
    COM ESSE HUMOR LIGEIRO E CRIATIVO! KKKK… PARABÉNS! O TEMPO PASSA MAS OS BONS FICAM E VOCÊ CONTINUA MATANDO A PAU! RSRS … ABRAÇÃO AMIGO E PARABÉNS MAIS UMA VEZ!

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    1. O Díógenes é tudo isso que você falou, amigo. Ele e o Ivan Reis eu fiz questão de pedir para estar na lista de amigos no facebook, muito por sua causa, que apesar de estar na cara que essa fera (o Diógenes) é PHODA, foi você que sempre apontou isso, desde o primeiro número. Muito bom você aqui conosco, novamente marcando presença. Muito bom!

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  3. O que tem sido a evolução dos quadrinhos,,,há décadas atrás essa arte não seria de uma revista regular e sim de uma Grafic Novel e olhe lá. Tá de sacanagem que essa revista não tá vendendo tanto?

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