TOM STRONG: NOS CONFINS DO MUNDO

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Por Henry Garrit

Um dos personagens mais interessantes de uma longa lista do selo de quadrinhos AMERICA´S BEST COMICS, (posteriormente adquirido pela DC), Tom Strong e sua família são os aventureiros definitivos, dividindo seu tempo entre excursões à realidades alternativas, planetas hostis, viagens no tempo e templos misteriosos. Como Alan Moore nunca faz nada do jeito fácil, Tom Strong segue a linha “pastiche” onde se imita abertamente outros estilos sem parodiá-los, resignificando-os de modo a tornar sua obra algo único. Por isso não se espantem ao encontrar referências a Tarzan, Flash Gordon, Doc Savage e até mesmo alguns heróis da Marvel e DC entre outras influências. Cada edição oferece a possibilidade de um novo épico, contando com alguns altos e baixos, mas sempre com um saldo positivo. Alan Moore não decepciona ao contar suas histórias absurdamente inventivas, e os roteiristas que se uniram a ele nessa empreitada conseguiram manter o alto nível.

Nos Confins do Mundo“, apesar de ser considerada a canção final de Tom Strong orquestrada por seu co-criador Alan Moore (entre outros maestros), e ser dividido no encadernado em partes sequenciais, cada capítulo é feito por um equipe criativa diferente e as histórias não são continuações diretas umas das outras, embora respeitem a cronologia do personagem, e podem ser lidas de forma independente. Mesmo assim, eu adoro que esse arco final foi subdividido em várias partes e capítulos. Vale lembrar que a Panini também lançou o encadernado da HQ “Tom Strong e o Planeta do Perigo” produzido por Peter Hogan, Chris Sprouse e Karl Story, cuja resenha será publicada por aqui em breve.

O encadernado recebeu os seguintes capítulos os quais comentarei a seguir:

A Lâmina Negra da Costa Bárbara

Roteiro de Michael Moorcok
Arte de Jerry Ordway

História dividida em duas partes e três capítulos, é um mergulho à essência aventuresca do personagem, com direito a uma jornada à uma terra desconhecida acompanhado de piratas com a promessa de um tesouro ao fim da contenda. Claro que como de costume, as coisas nunca são assim tão simples e entre voltas e reviravoltas, o roteiro consegue nos surpreender até quando parece falar de algo que já tenhamos visto. História divertida e feita de modo a nos lembrar a inspiração principal de Alan Moore e Chris Sprouse ao criarem o personagem, os antigos “pulps“, histórias repletas de ação e mistério. Vale ressaltar a belíssima arte de Jerry Ordway, um dos maiores desenhistas de quadrinhos de todos os tempos na humilde opinião deste resenhista que vos escreve.

A Jornada Interior

Roteiro de Joe Casey
Arte de Ben Oliver

Joe Casey joga os holofotes no lado científico das histórias de Tom Strong, colocando-o em uma das mais clássicas narrativas da ficção científica, que trata da miniaturização. Longe de ser clichê, o autor explora muito bem as possibilidades dessa situação, apresentando outros níveis de desdobramentos ao invés de simplesmente nos levar a uma já conhecida viagem ao interior de um corpo, de um modo que começa parecendo simples mas é muito bem detalhado no decorrer da história, que apresenta uma trama digna das rebuscadas tramas de Alan Moore.

Os Pináculos de Samakhara

Roteiro de Steve Moore
Arte de Paul Gulacy e Jimmy Palmiotti

Mais uma vez vemos Tom em seu habitat natural, ou seja, um explorador do desconhecido em terras estranhas numa jornada de vida e morte com a promessa de uma grande recompensa ao final. Sempre é interessante ver como as histórias conseguem manter esse clima de filmes antigos e até mesmo invocam vários de seus elementos propositalmente, homenageando-os sem cair na mesmice. Uma das maiores virtudes do título Tom Strong é que os autores se esforçam em contar velhas histórias de uma nova forma. E quase sempre com sucesso.

Chamado Gelado

Roteiro de Peter Hogan
Arte de Chris Sprouse e Karl Story

Peter Hogan, suponho que já ciente que o título estava perto do fim, resolveu acertadamente fechar o arco que já havia escrito antes, ditando o destino final de alguns personagens, embora deixando em aberto a possibilidade de seu retorno. Talvez não fosse a história definitiva que ele gostaria de contar aqui, mas foi importante encerrar um ciclo de modo a respeitar os leitores mais atentos. Não por acaso, A mesma equipe criativa seria responsável pelo já citado especial “Planeta do Perigo”, ali sim mostrando provavelmente sua versão definitiva do personagem.

No Fim do Mundo!

Roteiro de Alan Moore
Arte de Chris Sprouse e Karl Story

Produzida pelos criadores da série, é a despedida emocionante de Alan Moore do personagem, conectada brilhantemente com o fim de outra personagem também co-criada por ele, PROMETHEA, cuja resenhas podem ser lidas AQUI e AQUI. Segredos surpreendentes do passado de Tom são revelados, enquanto ele e os outros heróis precisam deter o apocalipse, desencadeado por Promethea. O confronto parece inevitável neste que é o iminente fim do mundo, mas o que isso significa? Só mesmo Alan Moore, mago das palavras (e bruxo, literalmente) consegue nos dizer sem dizer, prometendo um grande evento sem decepcionar no final.

Atualmente, Tom Strong (e também Promethea) foram incorporados ao Universo de Super-Heróis da DC Comics. Tom já apareceu no título “The Terrifics” e Promethea na revista Liga da Justiça América. Essa transição é sempre polêmica e precisa ser trabalhada com muito cuidado pelos criadores para se evitar a rejeição, como a de outra incorporação parecida, quando John Constantine teve seu título no Vertigo cancelado e foi introduzido nesse mesmo universo de heróis, chegando a integrar a Liga da Justiça Sombria. Felizmente, o atual paradeiro do mago inglês é na continuidade de histórias do Sonhar no Universo de Sandman, recentemente retomado com a supervisão de Neil Gaiman. Mas isso é uma outra história…

Leia também as resenhas anteriores de Tom Strong!

Vol. 1 – A Origem

Vol. 2 – Terror na Terra Obscura

Vol. 3 – Invasão! 

Vol. 4 – Como surgiu Tom Stone 

Vol. 5 – A Terrível Vida real de Tom Strong

Olha aqui

Clique aqui para ler a resenha do encadernado Tom Strong e a Invasão das Formigas Gigantes, publicado no Brasil pela editora Pixel Media.

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