PATRULHA DO DESTINO – Vol. 6 – PLANETA AMOR

Resenha do encadernado final de “Patrulha do Destino”, publicado no Brasil pela Panini Comics.

Por Rodrigo Henry Garrit

A Patrulha do Destino está morta.  De novo.

Não uma equipe de super-heróis convencionais; Imersos nos conflitos de sua natureza bizarra, os membros da equipe reunida pelo gênio de caráter duvidoso Niles Caulder precisam antes de tudo encontrar a própria salvação. Não que não acabem por salvar o mundo diversas vezes no percurso.

Sim, a Patrulha do Destino está morta, mas a morte é um conceito relativo para seres com o cérebro transplantado para corpos robóticos, possuídos por espíritos negativos extra dimensionais, donos de múltiplas personalidades extravagantes, capazes de projetar seus medos de forma concreta no mundo real ou existindo como tijolos, semáforos e textos de jornais esvoaçantes pelo meio fio.

Relativa ou não, a morte ronda os membros da Patrulha do Destino desde que Dorothy libertou acidentalmente uma criatura psiônica (algo como um “pesadelo vivo”) chamada Candelabro que inicia uma massacre físico e mental por onde passa. Aparentemente invencível, a criatura assassina marcha inexoravelmente contra todos que se colocam em seu caminho. Cliff Stelle, o Homem-Robô, ainda abalado com a descoberta das reais e mesquinhas intenções do “Chefe” Niles Cauder, continua resistindo como pode, contando com a ajuda do ocultista Willoughby Kipling, Crazy Jane, Danny, a rua e a própria Dorothy. Em meio a batalha, o Candeladro destrói o corpo de Rebis.  A desesperada luta pela sobrevivência é levada até a residência de Will Magnus, o criador dos Homens Metálicos, que também não são páreo para ele.

A maré muda quando Rebis ressurge de um ovo no qual estava sendo incubado, revelando que estava passando por um processo de renovação, não importando que seu corpo anterior tivesse sido destruído. A batalha passa então para o campo das ideias, na qual Dorothy precisa vencer seus medos e um plano secreto do supostamente falecido Niles Caulder tem de ser detido (ou apreciado), e Jane precisa urgentemente ser resgatada do mundo real, ou o que acredita ser real, desde que permita.

Consistente em sua fórmula de desconstrução, a Patrulha do Destino de Grant Morrison é uma ode aos desajustados, aqueles que sabem que não são perfeitos e não se importam. Ainda que a sociedade seja repleta de padrões cruéis, eles enfrentam as dificuldades e fazem o que precisa ser feito. Depois de uma longa e tempestuosa jornada, compreenderam que não precisam se encaixar num mundo que não os aceita. Eles podem ser seu próprio mundo e criar seus próprios encaixes.

Morrison escolhe os caminhos mais tortuosos para levar os personagens a seus destinos finais no término de sua passagem pelo título, mas não sem que recebam a merecida recompensa (seja para o bem ou para o mal). E assim acaba seu quebra-cabeças narrativo sobre esse disfuncional grupo de excluídos que por fim assumem a estranheza de todas as coisas, e em vez de afastá-la… Admiram sua beleza.

A Patrulha do Destino, criada antes dos X-Men, em muito se assemelha aos heróis mutantes da Marvel, colocando-se na posição de defensores do bem maior mesmo sendo rejeitados por uma sociedade que os odeia. Ironicamente, depois do fim, Morrison apresenta seu desabafo debochado sobre os quadrinhos de heróis dos anos 90, especialmente às equipes mutantes e seus derivados, (fazendo referência direta a X-Force) com desenhos que não se importam muito em ser fiéis a anatomia, mas privilegiam exuberantemente as curvas femininas em trajes sumários, frases feitas, tramas simples contadas em painéis com cenas de impacto e muita, muita ação. Assim temos a Força do Destino! (Doom Force), uma paródia hilária sobre os esteriótipos de super-herói de uma época amada por muitos saudosistas de plantão, mas definitivamente exaurida após seu uso exagerado.

Capas de “X-Force” #1 com arte de Rob Liefeld e “Doom Force Special #1” com arte de Keith Giffen e Mike Mignola.

A “trama” se passa alguns anos no futuro, pois Dorothy é uma mulher adulta, que assumiu o nome de “Giro”, e a equipe ainda é comandada por Niles Caulder (Ou o que sobrou dele), sendo agora apenas o “cabeça”, – literalmente – cuja imagem é projetada no tubo de um computador liquido. E essas são as únicas conexões da equipe com a Patrulha do Destino original, pois a Força do Destino é essencialmente uma equipe de heróis renegados vivendo uma grande subversão da realidade aumentada ao nível do absurdo.

E não era disso que se tratava a Patrulha do Destino?

Mate as saudades e entenda melhor a história e os personagens lendo todas as resenhas de PATRULHA DO DESTINO:

Vol. 1 – Rastejando dos Escombros

Vol. 2  – A Pintura que devorou Paris

Vol. 3 – Rua Paraíso Abaixo

Vol. 4 – Supermusculatura

Vol. 5 – O Ônibus Mágico

Especial Flex Mentallo

 

PATRULHA DO DESTINO: PLANETA AMOR.

Roteiros de Grant Morrison e arte de Sean Phillips e Richard Case com Stan Woch.

“Doom Force Special”: Roteiro de Grant Morrison e arte de Ian Montgomery, Paris Cullins, Duke Mighten, Brad Vancata, Walter Simonson e Ray Kryssing.

Capas de Brian Bolland, Simon Bisley, Tom Taggart, Jamie Hewlett, Duncan Fegredo, Richard Case, Keith Giffen e Mike Mignola.

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