RESENHA: “WILDCATS – GUERRA DE GANGUES” DE ALAN MOORE!

Por Henry Garrit

Depois de voltar de Khera, o planeta natal de vários membros dos Wildcats e descobrir que sua guerra contra os Demonitas já havia acabado há séculos sem que fossem avisados, uma equipe fragmentada retorna à Terra onde encontra seus substitutos formados por Majestic e Savant que no momento estão no meio de uma guerra deflagrada por eles mesmos contra os piores super vilões da cidade.

GUERRA DE GANGUES dá sequencia direta ao encadernado anterior DE VOLTA PARA CASA, onde a fase de Alan Moore foi iniciada. Para melhor entendimento desta, aconselho ler a resenha anterior clicando aqui.

A saga foi publicada em 1996 pela IMAGE COMICS, dentro do selo Wilsdtorm de Jim Lee, antes deste ser adquirido pela DC COMICS, onde algumas interações com outros personagens dos selos “vizinhos” ainda eram possíveis, com por exemplo o ciborgue Chacina, vilão do Spawn. Mesmo levando em conta esse contexto, a história (uma típica aventura de equipes de super-heróis dos anos 90) envelheceu pouco graças a destreza narrativa de Moore. Não que esse possa ser considerado um de seus melhores trabalhos, mas certamente está bem acima da média do que era feito na época, e apenas não reina absoluto porque também tivemos as excelentes histórias de James Robinson com os Wildcats pouco antes de Moore e Warren Ellis no Stormwatch, que acabou evoluindo para o excelente The Authority.

A arte também reflete a época, com artistas seguindo o rumo traçado por Jim Lee (este em plena forma), mas também há de se destacar a presença de Travis Charest, acima da média dos desenhos da época, equivalente a Moore nos roteiros.

O mais importante sobre essa fase é não esperar um clássico, até porque houve grandes tropeços no decorrer da narrativa. Alan Moore teve que se adequar mais uma vez a um grande crossover unindo todos os títulos, chamado de FIRE FROM HEAVEN (parecido com o que aconteceu antes no evento TEMPESTADE DE FOGO, mas naquele caso, ele assumiu o roteiro imediatamente DEPOIS da saga, enquanto aqui teve que incorporá-la a sua própria história). E sim, isso prejudicou bastante, fazendo este encadernado ser inferior ao anterior em vários aspectos, onde claramente vemos como o crossover alterou o percurso da narrativa para algo que apesar do esforço de Moore em manter tudo coeso, poderia ter sido escrito por qualquer outro roteirista mediano.

Há uma fala interessante da personagem Lacuna, que diz: “A ameaça construída por Dâmocles na Lua torna insignificantes os eventos da Ilha de Gamorra. Por isso não temos outra opção senão vestir os trajes de assalto no vácuo que pegamos da Stormforce e levar a guerra ao Dâmocles… Embora o moral esteja baixo. Nossas forças estão exaustas. Elas encaram a próxima batalha sem confiança… Sem inspiração”.

Isso me soou como a opinião do próprio autor sobre o rumo da história, sendo forçado a encaixar o crossover em seu roteiro. Claro que logo em seguida, temos um discurso inspirador de Espartano, ou melhor John Colt, conforme recentemente descobriu na verdade ser, reunindo os heróis de volta ao front. Esta revelação sobre e identidade dele ocorreu de forma abruta, outro efeito colateral da fusão forçada entre as histórias, o que também bagunçou as relações entre ele, Devota, Grifter e consequentemente Vodu, criando em tom novelesco a esse “quadrado amoroso”.

Porém quando Moore finalmente retoma aos trilhos e consegue contar sua história sem interferências, as coisas melhoram muito, embora vestígios do crossover ainda permeiem a narrativa negativamente.

O spoiler a seguir sobre esse gibi dos anos 90  é como “revelar” hoje que Ozymandias era o “vilão” de Watchmen… De qualquer forma, se não quiser saber, pare a leitura por aqui.

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Finalmente as equipes se dão conta de que seu verdadeiro inimigo é TAO, e que ele os manipulou desde o começo para provocar a guerra entre os heróis e as gangues de super vilões onde ele teria total controle de tudo. Tao sempre foi um personagem interessante desde o começo, sem poderes aparentes, apenas muita inteligência, estratégia e manipulação (lembrando em muito o já citado Ozymandias).

Moore já sabia que nós sabíamos, mas de forma hábil, montou a trama de modo a tentar disfarçar os fatos e plantar a semente da dúvida até o último segundo, com um suposto Wildcat morto após o confronto final com Tao, que se provou perigosíssimo com seus jogos mentais e capacidade de antecipar as ações dos heróis, conseguindo assim se safar até do mais poderoso deles.

O encadernado com a saga se fecha com as edições originais 28 a 34, mas também traz o número 50 de Wildcats, com roteiro de Moore, arte de Charest e um novo “plot twist”…

Mesmo sendo inferior ao anterior e sofrendo com a interferência de um crossover, Wildcats: Guerra de Gangues é muito divertido e tem ótimos momentos que valem a leitura.

WILDCATS –  GUERRA DE GANGUES

Roteiro: Alan Moore.

Lápis: Travis Charest, Jim Lee, Ryan Benjamin, Dave Johnson, Aron Wiesenfeld, Mat Broome, Pat Lee, Rob Stotz,

Arte-Final: Troy Hubbs, JD, Dave Johnson, Richard Friend, Marc Irwin, Luke Rizzo, Sal, Regla, Sandra Hope, John Tighe, Richard Bennet, Trevos Scott, Jason Garder, Scott Taylor,

Resenha baseada no encadernado publicado no Brasil pela Editora Pixel em abril de 2008.

Aproveite e leia também a resenha do crossover entre WILDCATS & X-MEN! 

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