RESENHA: O Inescrito – Apocalipse Vol. 2: A Jornada

“In nomine Christi! In nomine omnium sanctorum! Solve eum! In flammas exarde! Quasi lucifer cade in infernos!

Resenha do último volume do encadernado da série “The Unwritten” (O Inescrito), do selo Vertigo, publicado no Brasil pela Panini Comics. De Mike Carey (roteiro) e Peter Gross (desenhos).

Por Henry Garrit

Se você acompanham todas as resenhas de O INESCRITO aqui no Santuário, já me ouviram falar sobre Texugos e Unicórnios, e da importância da imaginação na nossa vida. Caso estejam chegando aqui pela primeira vez, farei uma breve introdução sobre essa série incrível, e aviso que no fim do texto existem links para todas as resenhas anteriores, onde falo sobre cada volume com mais detalhes.

Tom Taylor foi criado pelo seu pai (Wilson Taylor) para ser uma ponte entre a realidade e o mundo ficcional, tendo como contraparte Tommy Taylor, o protagonista dos livros de fantasia escritos por Wilson. As histórias são o alimento de um ser ancestral de muitos nomes, comumente conhecido como “Leviatã“. O poder dessa criatura é imensurável e pode alterar a realidade através da ficção. No decorrer dos séculos, algumas pessoas se tornaram o centro das atenções do Leviatã, tornando-se seus “personagens” preferidos, e com isso adquiriram habilidades sobre-humanas e imortalidade, como a titereira conhecida como Madame Rausch, o próprio Wilson Taylor e talvez seu maior representante, o homem que conhecemos como Sr. Pullman, na verdade, o Cain da história com seu irmão Abel, a mais antiga e conhecida narrativa, apresentando aquele que foi o primeiro assassino da humanidade. Cansado da imortalidade, Pullman se uniu a uma organização maligna conhecida como “Camarilla” que manipulava o poder do Leviatã em benefício próprio, mas ele tinha seus próprios objetivos.

Depois de muitas idas e vindas, Pullman, convicto de que a morte do Leviatã extinguiria toda a humanidade incluindo ele próprio, finalmente conseguiu lhe infligir um profundo ferimento , mas não o matou como havia planejado.  No entanto, o mundo ainda estava em risco e para consertar as coisas, Tom e seus amigos precisam empreender uma jornada no melhor estilo das lendas do Rei Arthur em busca do Maanim, como  também é conhecido o Graal, na esperança de curar o Leviatã e salvar o mundo.

Neste arco final de O INESCRITO, onde podemos ver a história até aqui de uma perspectiva mais ampla, é possível enxergar todas as tramas elaboradas por Mike Carey, e os tortuosos caminhos que levam os personagens para o seu desfecho. A premissa de repente pode parecer simples demais, até pueril, com muitas bifurcações e algumas situações confusas, mas foi contada com tanta riqueza de detalhes que consegue nos fazer embarcar nessa viagem metalinguística proposta pelo autor. E metalinguagem é uma palavra chave aqui!

Depois de tantos mistérios, as histórias convergem e somos apresentados a um ponto crucial do passado de Rausch, Wilson e Pullman, onde eles se encontram anos antes do nascimento de Tom e expõem seus planos, que embora sejam distintos entre si, favorecem os objetivos de Rausch. Assim ela os manipula, fazendo-os agir sem grandes interferências de Pullman sobre Wilson, pelo menos não antes de ser conveniente para ela. Wilson cria seu filho como planejado, tornando-o uma história que o Leviatã não poderia ignorar e Pullman segue com suas ambições destrutivas. Acontece que a titereira aguardava apenas o momento certo para agir, pois planejava substituir a humanidade por seus fantoches, os quais considera superiores aos humanos, logo, o fim do mundo lhe era algo desejável. O que nos leva ao tempo presente, e a batalha final, onde o roteiro de Carey faz suas graciosas acrobacias evitando todo e qualquer desfecho óbvio, fazendo da desgastada “jornada do herói” mais um subtexto dentre todas as camadas de figuras de linguagem usadas em sua história. É claro que ele poderia ter ousado mais, afinal, tinha a sua disposição literalmente uma infinidade de histórias, (obviamente seria impossível usar todas), mas muitos temas interessantes acabaram ficando de fora. Como forma de manter o roteiro coeso, ele se prendeu aos clássicos, não que isso tenha afetado a qualidade da história.

Como não poderia deixar de ser, temos o retorno ao mundo da fantasia de Tommy Taylor, o regresso de um grande vilão e a total subversão do livro de fantasia, mesclando “realidade” com ficção, enlaçado por um final surpreendente que vai tocar em maior ou menor grau o leitor, dependendo do nível de imersão a que este se permitir ao acompanhar a trama.

Valeu muito à pena acompanhar essa epopeia em quadrinhos, que flertou com diversas obras literárias, amarrando-as a uma grande colcha de retalhos que as une e dá um novo significado a sua existência dentro do que foi proposto ao mundo de O Inescrito. Em tristes tempos em que nos despedimos da linha VERTIGO, “substituída” pelo selo DC BLACK LABEL, podemos considerar que O INESCRITO foi talvez um dos últimos grandes sucessos do selo, mantendo-se dentro do padrão das histórias que costumavam ser publicadas sob esse signo.

Fato é que O Inescrito foi fechado com maestria pela dupla de criadores Mike Carey e Peter Gross

MAS ainda não acabamos por aqui, pois os autores produziram um especial fora do título regular: “O Inescrito: Tommy Taylor e o Navio que Afundou Duas vezes“, cuja resenha será publicada aqui em breve!

Fique ligado no Santuário e não deixe de ler as resenhas de todos os volumes de O INESCRITO! 

Vol. 1 – Tommy Taylor e a identidade Falsa

Vols. 2 e 3 – O Informante e o Retorno de um Morto

Vol. 4  – Leviatã

Vol. 5 – Ontogênese

Vols. 6 e 7 – Tommy Taylor e a Guerra de Palavras – Partes 1 e 2

Vol. 8 – O Ferimento

Vol. 9 – Orfeu no Mundo Abissal

Vol. 10 – Fábulas Inescritas 

O Inescrito – Apocalipse – Vol. 1   – Histórias de Guerra

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