RESENHA: PREACHER – VOL. 7 – SALVAÇÃO

Por Henry Garrit

Resenha do Volume Sete do encadernado publicado no Brasil pela Panini.

Roteiro de Garth Ennis / Arte de Steve Dillon

Após sobreviver milagrosamente a uma queda de avião em rota de fuga de uma explosão atômica após o confronto com o Sr. Starr e o Santo dos Assassinos, o pastor Jesse Custer não se lembra de nada que aconteceu depois do acidente e como perdeu o olho esquerdo. Passado um tempo se recuperando, ele procura seus companheiros, que acreditam que ele esteja morto, e flagra sua namorada Tulipa beijando seu melhor amigo, o vampiro Cassidy. Desolado, Jesse se afasta de todos, indo de encontro a Salvação.

Ou melhor Salvation, uma cidadezinha no Texas, onde ele se estabelece e tenta começar de novo.

Este encadernado é um dos melhores de toda a série, apesar da ausência muito sentida de Tulipa e Cassidy, mas também por isso, sendo a oportunidade do roteirista em focar apenas em Custer, onde temos um reencontro com o passado, grandes descobertas e claro, o pastor assumindo o comando da pequena cidade como xerife para defender a população de um empresário inescrupuloso conhecido como Odin Quincannon.

PREACHER nos apresentou grandes vilões durante o decorrer da história, cada um com suas próprias peculiaridades e bizarrices. Quincannon não foge a regra, sendo o tipo de ser humano detestável, capaz de qualquer coisa para conseguir seus objetivos com extrema crueldade, além de ser dono de fetiches perturbadores. Não muito longe, temos a Srta. Oatlash, sua advogada e também dona de suas próprias perversões.

Embora Cassidy e Tulipa não deem as caras, sua ausência foi preenchida por coadjuvantes muito bem construídos.  Favorecido pela “coincidência” de ter reencontrado Lorie sendo atacada na rua, Jesse acaba por decidir ficar no local. Lorie é a irmã de seu amigo de infância falecido, Billy Bob e assim como ele, possui um deformidade genética que consiste nela ter apenas um olho no rosto. Claro que não é algo se encontre todos os dias, assim Jesse logo a reconhece e ajuda contra seus detratores. Lorie o convida a ficar em sua casa, onde também mora uma senhora chamada Jodie, que não tem um dos braços. Conforme os acontecimentos vão fazendo Jesse ficar na cidade, ele começa a interagir com outros personagens que se tornariam importantes para história, principalmente a assiste do xerife, Cindy, que se logo se torna a parceira de Jesse, sem esquecermos de seu amigo canino Skeeter, que “rouba a cena” em vários momentos.

Nesse caminho de recomeços e redescobertas, Jesse se depara também com alguns dos piores exemplares da raça humana e Garth Ennis trabalha muito bem questões raciais e preconceitos estruturais até hoje alimentados em certas partes dos EUA (E do mundo!).  Como xerife de Salvation, ele precisa lidar com a loucura descontrolada de Quincannon e membros da Ku Klux Klan, além de processar informações de suma importância sobre seu passado e finalmente descobrir o que de fato aconteceu após o incidente da bomba. Ennis ainda consegue encaixar no roteiro uma subtrama envolvendo nazistas além de mais uma vez revisitarmos a guerra do Vietnã através dos feitos de John Custer, pai de Jesse. Ele lidera uma verdadeira guerra ao matadouro de Quincannon, com consequências inusitadas e um desfecho que só poderia ter sido escrito por Garth Ennis…

Toda a saga de Jesse na cidadezinha é contada de forma hábil pelo texto e arte de seus criadores, Garth Ennis e Steve Dillon, em perfeita harmonia. Por mais incrível que pareça, a história não se prende ao personagem amargurado em busca de si mesmo, ainda que isso exista em algum nível. Temos algumas reviravoltas realmente surpreendentes, e muitas, muitas respostas sobre questões que há muito intrigavam os fãs até aqui, o que faz com esse volume seja tão importante, seja pelas descobertas, seja pela preparação do viria a seguir.

O ponto alto da história se dá quando Jesse utiliza sementes de peiote para se conectar a Gênesis, a cria profana surgida pela união proibida entre um anjo e um demônio e que habita seu corpo. Essa viagem alucinógena o leva a vários pontos de seu passado, fazendo-o confrontar alguns personagens importantes de sua história, até enfim revelar o que de fato aconteceu após a queda do avião, onde ele enfim se encontrou com Deus, e embora não tenha alcançado seu objetivo de confrontá-lo, conseguiu mais algumas respostas importantes sobre as razões de tudo o que anda acontecendo, e uma nova perspectiva sobre como agir dali em diante.

Debochado, divertido, violento, PREACHER sempre foi assumidamente uma espécie de faroeste moderno, e Jesse pode assumir esse papel literalmente ao se tornar xerife de Salvation, onde aplicou a lei à sua própria maneira. Assim, esse arco mantém tudo o que faz da série ser o que é, com personagens bizarros, profanos e muito, muito interessantes.

Leia as resenhas dos volumes anteriores:

PREACHER – VOL.1 – A CAMINHO DO TEXAS

PREACHER – VOL.2 – ATÉ O FIM DO MUNDO!

PREACHER – VOL.3 – ORGULHO AMERICANO

PREACHER – VOL.4 – HISTÓRIAS ANTIGAS

PREACHER – VOL.5 – RUMO AO SUL 

PREACHER – VOL. 6 – GUERRA AO SOL

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