RESENHA: SILAS

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Por Henry Garrit

Mais uma RESENHA de um grande quadrinho nacional… SILAS do Rapha Pinheiro não é exatamente uma continuação de sua obra SALTO, embora se passe no mesmo lugar, ao mesmo tempo e com praticamente os mesmos personagens… É uma oportunidade única de revisitar a história sob outra ótica e descobrir facetas distintas de personagens que não tínhamos tido tempo de compreender… Ou vocês não acreditam que uma alguém possa realmente mudar, aprender com seus e erros e evoluir como pessoa?

Basicamente, esta é a história da cidade EDOS onde as pessoas eram feitas de fogo. As chuvas torrenciais as obrigaram a se abrigar nas cavernas, onde acabaram constituindo um novo lar, a cidade de INTOS.

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E é aqui que conhecemos Silas, uma criança órfã que sofreu um acidente que a obrigou a usar permanentemente um traje para mantê-lo vivo. Silas foi adotado pelo Barão, o homem mais influente da cidade, e adulto tornou-se um solitário e violento capitão de uma força policial autoritária e truculenta. Nós o conhecemos na obra anterior e as duas histórias se conectam pois SALTO e SILAS se passam mais ou menos ao mesmo tempo, cada uma contada sob a ótica de seu protagonista, convergindo em alguns momentos e culminando em descobertas que mudariam a vida de ambos para sempre. As duas podem ser lidas de forma independente, embora eu sugira que leiam SALTO primeiro, mas tudo vai depender do seu grau de sensibilidade a determinadas revelações do enredo, que embora sejam importantes, não vão atrapalhar o prazer da sua leitura.

Então se você chegou até aqui prepare-se para conhecer uma das mais originais obras dos quadrinhos nacionais dos últimos anos!

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Um dos grandes méritos do roteiro de Rapha Pinheiro é não cair no estereótipo de personagens totalmente bons ou maus. Aqui eles têm nuances e circunstâncias que os levam a cometer erros e acertos. Silas sempre foi temido como um policial agressivo e assustador, algo agravado pela aparência incomum de sua máscara respiradora que não o permite falar sem que sinta muita dor, então ele passa a maior parte do tempo em silêncio. Silas não se sente amado, mesmo tendo sido criado pelo barão que salvou sua vida, sempre foi tratado como uma propriedade que lhe devia gratidão eterna. Essa carência o levou a caminhos obscuros, onde acabou ficando sempre na ofensiva como uma espécie de sistema de defesa, mas isso não afetou seu senso crítico e capacidade de observação e análise. A maior mudança começou quando ele conheceu uma senhora através de sua música e estabeleceu uma amizade verdadeira com ela, o que iniciaria seu processo de desconstrução.

Em SALTO, víamos Silas como um perseguidor implacável (embora já desse alguns sinais de sua insubordinação), aqui nos aprofundamos em sua verdadeira história, entendemos seus motivos e descobrimos os abusos que o levaram a se tornar aquela pessoa.

Enquanto em sua próprio álbum Nü se depara com uma revelação bombástica capaz de mudar o próprio modo de vida de seu povo, Silas segue uma estrada de autodescoberta até entender a pessoa que ele realmente deseja ser.

A arte da HQ (também de Rapha Pinheiro) é tão linda quando sua história “irmã”, com cenários estonteantes aproveitando ao máximo a atmosfera Steampunk na qual o projeto foi concebido.

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Sem deixar de incluir muitas metáforas políticas que fazem paralelo com a nossa realidade, SILAS é um quadrinhos notável, impresso num álbum de altíssima qualidade que merece fulgurar na estante de qualquer colecionador que aprecie grandes obras de quadrinhos.

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Ficha técnica:

Capa comum: 96 páginas

Editora: AVEC Editora

Idioma: Português

Dimensões do produto: 27,8 x 20,6 x 0,6 cm

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