RESENHA: MULHER MARAVILHA 1984

Por Henry Garrit

Maxwell Lord é um empresário falido que toma posse de um artefato místico deixado na Terra pelo mesmo panteão de deuses da cultura da princesa Diana de Themyscira, interligando seu caminho com o dela e o da Dra. Barbara Minerva, levando o mundo a uma situação caótica a qual só poderá ser revertida mediante grandes sacrifícios.

Gal Gadot retorna ao papel da heroína mais famosa do mundo, que também conta com a comediante Kristen Wiig (que participou do humorístico americano Saturday Night Live de 2005 a 2012) como Dra. Minerva (mostrando que também sabe fazer papéis dramáticos muito bem) e Pedro Pascal (Game of Thrones, O Mandaloriano) como Max Lord.

Desde o anúncio do filme MULHER MARAVILHA 1984, os fãs vem se perguntando como a diretora Patty Jenkins iria lidar com algumas questões; Além da óbvia ambientação na icônica década de 80, mas principalmente a participação do personagem de Steve Trevor (Chris Pine), uma vez que o mesmo teve uma morte heroica no primeiro longa da heroína.

A diretora teve a inteligente ideia de não apenas situar o filme em 1984, mas dar a ele toda a estética desse período, o que nos traz um sentimento de nostalgia (para os que viveram essa época, claro), e apresenta esse prisma para as novas gerações, que verdade seja dita, já tem tido bastante contato com ela através de produções que invocam o mesmo saudosismo com a série “Stranger Things” da Netflix e os dois filmes do palhaço demoníaco de Stephen King, “It, a coisa”, por exemplo.

Algo que me chamou a atenção foram as semelhanças com os filmes do Superman de Richard Donner, estrelados pelo saudoso Christopher Reeve. Não por acaso, essa estética oitentista remeteu o filme para aquela atmosfera, mas houve, além disso, o que considero pequenas homenagens, como a cena de abertura onde a heroína enfrenta ladrões num shopping e mesmo uma cena final, a qual prefiro não entrar muito em detalhes agora, mas me conectou diretamente  a um desses filmes do Homem de Aço. (Fiquem tranquilos, falarei sobre isso no fim do texto após um aviso de spoiler).

Toda adaptação apresenta mudanças em maior ou menor grau da obra original, o que pode gerar o ódio ou a satisfação dos fãs, um terreno minado que todo diretor precisa ter muito cuidado ao trilhar. A própria Mulher Maravilha não é (e nem deveria ser) idêntica aos quadrinhos, mas uma versão que funcione na tela grande (ou pequena para quem viu pela HBO MAX), e acreditem, entre alguns exageros aqui e ali, ela funciona muito bem. Mas quando falo de “exageros” dentro do contexto de uma personagem dotada dos poderes dos deuses, é porque a viagem foi grande mesmo… No entanto não acredito que prejudique significativamente o ritmo do filme nem a diversão de modo geral. As cenas de batalha são ótimas, embora eu tenha sentido falta de mais – o que apenas reforça que realmente foram boas – mas muitas já haviam sido apresentadas nos trailers, não deixando espaço para grandes surpresas. Mas as surpresas existem no filme e são bem interessantes. E se por um lado as batalhas não foram as mais demoradas do cinema, o desenvolvimento dos personagens foi muito bem construído, especialmente Max e Bárbara, que tiveram seus pequenos arcos convergindo para o ato principal.

No mais, o filme acerta em sua proposta, reapresenta a Mulher Maravilha e abre caminho para mais produções com ela dentro deste universo, tendo sido a meu ver, uma obra que agradará os fãs da personagem e manterá uma bem sucedida franquia pela frente.

A partir daqui ALERTA DE SPOILERS, leia por sua conta e risco!

Sobre a questão da direção em trazer Steve Trevor de volta, isso se deu através do citado artefato místico, capaz de realizar desejos e alterar a realidade. Uma das “viagens” do filme, talvez um tanto exagerada, mesmo numa história sobre uma amazona dotada dos poderes dos deuses? Talvez. É claro que isso acontece o tempo todo nos quadrinhos, mas os filmes concedem outra camada de realidade e ainda que a história contada seja uma fantasia, é preciso tomar cuidado ao andar nessa corda bamba da credibilidade para que o filme não se torne uma piada sobre si mesmo. E não vou negar, a diretora tropeça… Mas segue em frente e consegue nos fazer embarcar na sua viagem. Sim, é possível enumerar diversos pontos que poderiam ser simplificados mas desenrolar esse novelo iria nos levar a… Nada. Por melhor que sejam a qualidade das produções atuais, quem assiste um filme de um heroína de quadrinhos já deveria saber o que esperar.

A referência ao jato invisível veio! E de uma forma bem peculiar! Há anos esse elemento não é usado nos quadrinhos, salvo momentos saudosistas, uma vez que ele ficou na memória de muitos leitores, creio que principalmente pelo seu uso na animação “Superamigos. Depois que ficou definido que Diana podia voar, principalmente na reformulação de George Pérez onde é mostrado ela recebendo esse dom do deus Hermes, o jato invisível perdeu sua função, surgindo apenas como easter egg vez por outra. O filme já revelou que ela é filha de Zeus com Hipólita e vem fazendo uso disso como um meio de “testar” novas habilidades para Diana. No primeiro filme, vimos um pouco (ou muito) disso em sua batalha com Ares. Agora, é mostrado que ela é capaz de usar o mesmo método que Zeus utilizou para ocultar a ilha de Themyscira no jato, deixando-o invisível e indetectável, além de usos diferenciados e no mínimo criativos do seu laço da verdade… Fora o fato de que SIM, após demorar um pouco para descobrir, vimos que a Mulher Maravilha dos filmes é capaz de voar!

A utilização da armadura dourada de combate foi um acréscimo apoteótico à trama. Tendo surgido pela primeira vez no clássico dos quadrinhos “O Reino do Amanhã” com design de Alex Ross, aqui ele aparece com uma história diferente, onde uma grande amazona chamada Astéria teria morrido em combate usando essa armadura para proteger suas irmãs do ataque de Hércules e seu exército. O que nos leva para a cena pós crédito, onde vemos que Astéria está viva, linda e plena, e o melhor de tudo, é interpretada por Lynda Carter, a Mulher Maravilha da série de tevê dos anos 70!

Sobre o momento homenagem ao filme Superman com Christopher Reeve que citei lá em cima: Na verdade existem vários pequenos momentos, desde Diana salvando a vida de uma criança prestes a ser jogada do andar superior do shopping a várias outras situações (inclusive no primeiro filme já tínhamos um pouco disso quando ela se disfarçou de civil usando óculos e um sobretudo), mas a mais marcante pra mim foi a cena da renúncia dos desejos, quando o mundo começa a se “consertar”. Como não comparar com a icônica cena do Superman voando ao redor do globo e fazendo o tempo voltar, restaurando assim o mundo e a vida de sua amada Lois? Infelizmente para Diana, ela não teve esse privilégio e esse foi seu grande sacrífico… Abrir mão do retorno de seu amado e recuperar suas forçar para assim salvar o mundo.

Depois de uma longa e conturbada espera, com uma pandemia no meio do caminho, e a incerteza (sobre tudo) que ela trouxe, MULHER MARAVILHA 1984 estreou como um ótimo filme de super-heroína que entre acertos e tropeços, não desaponta e entretém do começo ao fim!

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