RESENHA: Homem-Animal – Nascido para ser Selvagem

Por Henry Garrit

Buddy Baker, o homem com poderes animais acorda de um coma e se vê numa realidade totalmente diferente. Sua amorosa esposa agora o trata com desdém, assim como seus filhos e ele começa a perceber que essa não é a sua a vida do jeito que ele se lembrava. Teria ele acordado numa realidade paralela? Será que nada nunca foi real? Estaria ainda em coma preso dentro de uma ilusão?

Acabou a fase Grant Morrison. E AGORA?

Não é segredo que o aclamado autor (ainda não tão famoso na época) pegou um personagem esquecido como o Homem-Animal e explorou todo o seu potencial, fazendo que poderiam ser histórias ridículas abordarem temas sérios como ecologia, veganismo e a luta pelos direitos dos animais usando um pai de família que decide retomar suas atividades como um super-herói. Durante toda a trajetória, fomos surpreendidos com a total subversão dos clichês do gênero, vimos ficção científica, metalinguagem, conflitos familiares e situações que nos fizeram refletir sobre como o ser humano trata o planeta Terra como um todo. E antes de abandonar o título, Morrison se encontra com o personagem, conta que ele é seu roteirista, deixando claro que Buddy Baker não passa de uma ficção.

Que bela bomba para o próxima roteirista do título continuar daí, né? Pra nossa sorte, a tarefa ficou à cargo do competente Peter Milligan (ele deve ter xingado muito o Morrison) que poderia ter ignorado os eventos passados e seguido em frente mas em vez disso… Ele meio que ignorou e seguiu em frente só que de um jeito que não desconsiderou o que Morrison havia feito. E esse foi seu grande mérito. Obviamente ele não é explícito sobre o “grande evento traumático” que teria colocado Buddy em coma, mas fica óbvio que foi o encontro do personagem com seu antigo roteirista.

Milligan segue a linha de desconstrução traçada por Morrison, evitando o óbvio e colocando o personagem em situações non sense, interagindo com outros personagens que parecem tão desconectados da realidade quanto ele. A série de eventos que se seguem tornam a leitura muito atrativa, fazendo-nos pensar até onde um roteirista poderia levar um personagem sem cair num absurdo forçado e desinteressante. Quer dizer, depois do que Morrison fez, ainda havia alguma coisa que pudesse superá-lo?

Talvez sim, talvez não. O que Milligan fez no entanto foi o manter o alto nível da HQ, conquistando o interesse dos leitores onde outro autor poderia facilmente ter simplesmente feito aventuras regulares de um super-herói… E não haveria nada de errado com isso. Fato é que depois de Morrison, o Homem-Animal ganhou um novo status dentro dos quadrinhos e essa evolução o levaria direto para o selo adulto da editora, onde passaria a ser publicado dentro da Vertigo (R.I.P.).

O desenhista Chas Truog que ilustrou a maior parte das histórias da fase Morrison retorna, o que pode ter amenizado esse momento de transição para os fãs mais ardorosos, porém o roteiro de Milligan não decepciona e e já cativa logo nas primeiras páginas. Além dele temos também algumas histórias ilustradas por Steve Dillon (Preacher), que contribui positivamente, dando o tom exato do clima da narrativa. Junte a isso o capista Brian Bolland que também se mantém na equipe e o que temos é o que parecia ser uma muito bem sucedida continuidade do legado deixado por Morrison. E isso continuou sendo verdade… Por um tempo.

Leia também as resenhas anteriores de HOMEM-ANIMAL:

Fase Grant Morrison:

O Evangelho do Coiote

A Origem das Espécies

Deus Ex Machina

Fase Jeff Lemire:

Os Novos 52

Espécie Anormal

Evolua ou Morra

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s