RESENHA: HOMEM-ANIMAL – RÉQUIEM PARA UMA AVE DE RAPINA

Por Henry Garrit

Buddy Baker, o notório Homem com Poderes Animais passou por maus bocados, mas agora sua vida parece ter entrado nos eixos. Ele assumiu o controle de suas habilidades, retomou a bem sucedida carreira de dublê em filmes de ação, está em harmonia com sua família e eventualmente age como o herói defensor da causa animal. Mas como a tranquilidade nunca dura muito tempo na vida de Buddy, logo ele percebe que seus poderes estão afetando os animais à sua volta, enquanto ele é abordado por um “cientista de fundo de garagem” chamado Travis Cody que apesar de não parecer ter todos os parafusos na cachola, surpreendentemente conhece muito sobre seus poderes. Após algumas desavenças, ele propõe ajudá-lo a entender o que está acontecendo. Paralelo a isso, forças ocultas observam, e nada do que acreditávamos saber sobre o Homem-Animal pode ser verdade.

Cada autor que assumiu o título do personagem após a saída de Grant Morrison teve o desafio de lidar à sua própria forma com o final oferecido, onde autor e personagem se encontram e Buddy fica sabendo que é um personagem de histórias em quadrinhos escrito por ele. Peter Milligan, que deu prosseguimento direto a esse fato, como vimos na resenha de Nascido Para ser Selvagem, optou sabiamente por não ignorar, mas também não deu tanta ênfase, colocando o personagem despertando de um coma numa realidade diferente, onde ele teve que lutar para reconquistar sua vida, sem a lembrança exata de seu encontro com Morrison.O novo roteirista, Tom Veitch (não confundir com seu irmão, o ótimo Rick Veitch) também não ignorou as estranhezas dos roteiristas anteriores, tentando dar um novo começo e indo até mais longe; reescrevendo verdades que já tínhamos como certas. Se por um lado fugir da sombra de seus antecessores foi louvável, a execução deixou a desejar, ainda que o começo tenha sido promissor, com um uma espécie de xamã indígena destruindo miniaturas (totens?) de personagens, incluindo o próprio Grant Morrison e sugerindo que a grande “verdade” ainda seria revelada. O que houve depois disso foi uma  promessa sobre a tal verdade, mas o problema é que focar nisso (que já era algo estabelecido e bem construído) tirou dele a oportunidade de desbravar novos rumos e desenvolver possibilidades diferentes para o personagem. Algo assim é apresentado na forma do descontrole dos seus poderes, mas isso já havia sido explorado anteriormente então não foi nenhuma novidade. O personagem Travis Cody é introduzido como uma figura de apoio a essa “jornada de descoberta”, mas ele é muito inconstante, fazendo coisas sem sentido com justificativas pobres que são prontamente aceitas por Buddy, que passa a confiar nele muito rapidamente como se fossem amigos de longa data.Seja pelo impacto deixado por Morrison, ou pela maestria com que Peter Milligan lidou com o personagem em seguida, seria uma tarefa ingrata a qualquer roteirista manter o mesmo nível, e ainda que Tom Veitch se esforce e até consiga algumas cenas dramáticas, elas acabam perdendo força se comparadas com o que foi visto anteriormente. E essa comparação prejudica muito seu roteiro, que apesar de alguns diálogos que considerei descaracterizar os personagens em alguns momentos, tem pontos positivos e mantém a história interessante, principalmente (e esse é um dos pontos altos desse arco) pela narrativa impecável dos desenhos de Steve Dillon.

A trama lança um mistério que estimula o leitor a querer acompanhar as próximas edições, e sua conclusão pode provar que essa história merece constar entre as grandes sagas do Homem Animal ou se tornar uma passagem esquecível do personagem.

Acompanhe conosco as resenhas dos próximos encadernados e descubra a resposta junto com a gente!

Leia também as resenhas anteriores de HOMEM-ANIMAL:

Fase Grant Morrison:

O Evangelho do Coiote

A Origem das Espécies

Deus Ex Machina

Fase Vertigo:

Nascido Para Ser Selvagem

Fase Jeff Lemire:

Os Novos 52

Espécie Anormal

Evolua ou Morra

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