RESENHA: ASTRO CITY – VOL.1 – VIDA NA CIDADE GRANDE.

Por Henry Garrit

Os moradores de Astro City já se acostumaram com a presença dos super seres, cuja interferência vem ocorrendo há anos em todo o planeta. Heróis famosos como o Samaritano e a Vitória Alada, Caixa de Surpresas e “Super equipes” como a Guarda de Honra, Os Irregulares e a Primeira Família fazem parte do cotidiano dos cidadãos e entre uma invasão intergaláctica e outra, a vida segue pelas ruas da cidade.

ASTRO CITY tem uma abordagem diferente dos quadrinhos de super-heróis. Mas consegue ser familiar ao mesmo tempo. Kurt Busiek joga todo o foco da história numa realidade onde os super seres existem, mas presta delicada atenção a como isso afeta os coadjuvantes, que aqui se tornam as estrelas da trama. Não que os heróis não tenham destaque, mas a todo o momento o objetivo é mostrar o que acontece naqueles lugares que não são mostrados normalmente. Quem são as pessoas que presenciam um ataque de super vilões e são resgatadas pelos heróis? Como seria morar numa cidade em que a qualquer momento uma bomba pode explodir e um conquistador alienígena pode reclamar o controle da Terra? Quem é que fica para trás quando o herói voador deixa o local com sua capa esvoaçante?

Com essa premissa, o autor amarra diversas histórias com diferentes pontos de vista, onde qualquer um pode ser o protagonista, narrador e condutor do enredo. Basta estar no lugar certo na hora certa. Essas testemunhas oculares vão nos mostrando cada uma sua perspectiva sobre a cidade, nos contando sobre suas vidas e dividindo seus medos e anseios. Todo o universo de humanos aprimorados com trajes coloridos fica no pano de fundo, como se fossem nada além do cenário onde essas pessoas comuns tentam sobreviver, ainda que neste primeiro número, tenhamos acompanhado mais de perto o herói Samaritano não apenas como um vulto se deslocando em super velocidade, sendo ele o personagem que abre o encadernado e também reaparecendo no final junto à heroína Vitória Alada, onde nos é revelada sua “história de origem”, numa grande exceção à regra. Mas os heróis, apesar de peças de inegável importância, não são de fato os narradores, apenas os catalisadores de tudo o que é mostrado. Tanto que a maioria deles, senão todos, são versões estilizadas de personagens da Marvel e da DC. Longe de incorrer em plagio, essas referências criam o pastiche ideal para que Busiek pudesse realizar seu intento.

Ao contrário de obras como Watchmen e The Boys, onde os “heróis” são mostrados de forma (dentro do possível) realista e brutal, e também diferente dos quadrinhos habituais que já estabeleceram suas próprias regras de suspenção da descrença, Astro City fica no meio termo, irreal e otimista, sem pretensão de mostrar como seria se os super-heróis de fato existissem no mundo real, ao mesmo tempo que se furta da ingenuidade, criando assim sua própria versão dessa realidade. Essa ideia é sensacional e foi executada de maneira primorosa. A arte de Brent Anderson é incrível ao captar a atmosfera da trama, o que se torna essencial, afinal, Astro City não se trata de personagens glamorosos, e sim de uma cidade e seus habitantes. Contando com capas pintadas por Alex Ross e diálogos cativantes, a obra acerta em cheio com seu tom inovador e as curiosidades plantadas sobre os super seres, o que nos deixa com a vontade de ler os próximos desdobramentos da história e descobrir mais sobre eles.

Esse primeiro volume publicado no Brasil pela Panini reúne as seis primeiras edições e vários extras. E é diversão garantida para os fãs de super-heróis.!

Se liga no Santuário e não perca nenhuma resenha de ASTRO CITY!

 

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