RESENHA: O UNIVERSO DE SANDMAN – LÚCIFER: VOL. 1 – A INFERNAL COMÉDIA.

Por Henry Garrit

Lúcifer caiu em desgraça.

Preso em um lugar de tormento, fraco, mutilado e incapaz de organizar os próprios pensamentos, o anjo rebelde ironicamente parece estar em seu inferno pessoal, vítima da conspiração de alguém que desejava se vingar. E essa é uma lista muito, muito, muito longa. Paralelo a isso, na Terra, o detetive John Decker está passando por maus bocados, com sua esposa doente em estado terminal e delirante, ele inicia uma investigação sobre fatos ocultos de seu passado, ligando-a a um culto satânico e respostas que podem levar diretamente à Lúcifer e seu filho rejeitado que vaga pelo mundo numa busca infrutífera por sua mãe…

O encadernado com o primeiro volume de Lúcifer dentro da iniciativa sob curadoria de Neil Gaiman retomando e atualizando elementos do Universo de Sandman publicado no Brasil pela Panini começa com a edição The Sandman Universe 1, a qual já havia sido publicada em O UNIVERSO DE SANDMAN – O SONHAR: VOL. 1 – CAMINHOS E EMANAÇÕES, o que é um ponto positivo para quem escolher acompanhar apenas uma das novas séries (O Sonhar, Lúcifer, Livros da MagiaCasa dos Sussurros e mais tarde Hellblazer), mas desnecessário para o público que decidir ler todos os desdobramentos, ainda que essa introdução abranja aspectos de todas as revistas, mostrando as direções que serão tomadas a partir dali. Logo, a mesma história acabou sendo publicada quatro vezes nos primeiros volumes de cada título, o que repito… Mesmo sendo relevante, achei desnecessário, pois mesmo para os que optarem por apenas um deles, uma sinopse seria o bastante para colocar o leitor a par do assunto.

Correndo o risco de esclarecer o óbvio, o título do encadernado nada tem a ver com humor, fazendo justa referência a DIVINA COMÉDIA de Dante Alighieri, a qual narra a passagem de Dante pelo Paraíso, Purgatório e inferno. E sim, se você também achou que era o Alan Moore na capa, toca aqui, tivemos o mesmo devaneio! (A não ser que seja mesmo, mas aí é outra história…).

Uma breve explicação para os não iniciados:

Depois de retornar ao seu Reino após anos de exílio, Morfeus, vulgo Sandman, precisou recuperar alguns de seus artefatos de poder que foram furtados e um deles estava no inferno. Ele foi até lá, onde se encontrou com Lúcifer – e é essa versão do personagem idealizada por Neil Gaiman que acabou caindo nas graças dos leitores. Morfeus participou de um duelo contra o demônio Coronzon para recuperar seu artefato, no qual foi vitorioso. Tempos depois, Lúcifer decide entregar a ele a chave do inferno, tornando-o o novo soberano do lugar – papel ao qual o mestre do Sonhar recusa. É nesse ponto que o príncipe dos caídos deixa o local e se muda para a Terra, onde se estabelece em Los Angeles e abre um bar, o Lux. Lúcifer ganharia posteriormente uma revista própria e longeva com roteiros do ótimo Mike Carey.

Voltando a nova série:

Dito isto, a história que se segue é uma epopeia fascinante, colocando Lúcifer em papel num fragilidade  alternando flashbacks onde o vemos no alto de sua glória e arrogância, ao mesmo tempo que temos a investigação do detetive Decker, o que humaniza uma HQ repleta de seres celestiais e infernais, além de bruxas poderosas e outras criaturas de pesadelos. A trama é bem construída, lapidada lentamente com inserções que aos poucos vão se conectando, deixando claro que o competente roteirista Dan Watters sabia o que estava fazendo e para onde queria levar a história, ainda que a ideia tenha vindo do argumento proposto por Neil Gaiman, vemos claramente que ele expandiu seus conceitos, entregando um enredo intrigante que remete diretamente ao auge do título Sandman – e não era essa mesma a intenção? – Bem, ele conseguiu. A arte dos irmãos argentinos Max e Sebastian Fiumara dão o tom correto dessa narrativa bizarra com uma atmosfera belamente sombria.

A título de curiosidade, o citado detetive Decker tem o mesmo sobrenome da personagem da série de tevê, Chloe Decker, ainda que as duas histórias tenham muito pouco a ver uma com a outra (gosto da série tendo isso em mente), obviamente esse nome não foi por acaso, ainda que Chloe não apareça na HQ, na série protagonizada por Tom Ellis, é dito que seu pai foi um policial chamado John e sua mãe se chamava Penelope (Penny) – o mesmo nome da esposa do detetive na HQ. Achei interessante o quadrinho sinalizar para a série, mas não creio que a referência passará disso, porém, quem sabe? Vamos aguardar as próximas edições para descobrir!

Posso dizer que “Lúcifer: Vol. 1 – A Infernal Comédia” foi uma leitura extremamente divertida, evocando o melhor do que selo Vertigo (Hoje Black Label) sempre teve a oferecer, e restaura o personagem com um título de altíssimo padrão de qualidade.

Se liga no Santuário e acompanhe com a gente as resenhas de todos os volumes de O UNIVERSO DE SANDMAN:

O SONHAR: VOL. 1 – CAMINHOS E EMANAÇÕES

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