RESENHA: A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO – LIVRO TRÊS

Por Henry Garrit

A Ser que acreditava ser Alec Holland, também conhecido como Monstro do Pântano, ainda busca descobrir quem é de verdade, e esse conhecimento pode vir através de um certo mago inglês manipulador, mas como nada é de graça, ele o incumbe de diversas tarefas cujo o fracasso pode decretar o fim dos tempos. Entre encontros com homens radioativos, vampiros submarinos, licantropia feminina e espíritos escravizados, a criatura do pântano faz o possível para sobreviver e conquistar as respostas sobre si, além de preservar o relacionamento com sua amada Abigail Cable.Publicada no Brasil pela Panini, A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO continua neste volume em ritmo frenético, onde chegamos no ponto em que Alan Moore escrevia o título ao mesmo tempo em que produzia o roteiro de Watchmen, e acredite, reler essas histórias sabendo dessa informação acrescenta um toque curioso quando nos deparamos com todo o subtexto, simbologia, duplo sentido, imagens complementando ações e palavras significando não apenas o que é mostrado, mas abrangendo um contexto geral, (não que isso já não fosse uma assinatura do trabalho dele), mas nessas edições é possível identificar a sintonia de sua narrativa com o modo como ele escreveu Watchmen em vários momentos, numa época em que sua genialidade com as palavras pareceu brilhar com intensidade máxima… E claro, é aqui que ocorre a criação do famoso coadjuvante que ganharia os holofotes da Vertigo… John Constantine!

Embora este livro três da coleção seja repleto de histórias dotadas do habitual “suspense sofisticado”, ricas em detalhes e mensagens relevantes mesmo após todos esses anos, tudo é uma grande preparação para o passo seguinte, a saga “Gótico Americano“, (sobre a qual falaremos na resenha do próximo volume) a verdadeira razão pela qual Constantine se aproximou do Monstro do Pântano, mas aqui já nos é revelado que uma ameaça ancestral está voltando para encobrir toda a realidade com uma escuridão interminável, a qual vem sendo investigada pelo mago com a ajuda de alguns de seus amigos. Embora eles tenham concepções diferentes sobre a natureza desse mal, sendo apontado como um campo de energia extragaláctico ou o Ser conhecido como Cthulhu da obra de H.P. Lovecraft ou simplesmente Satã, todos concordam que sua chegada é inevitável e este é o momento mais propício para sua vinda, nas palavras do próprio Constantine: “…Com esses céus vermelhos e padrões meteorológicos destrambelhados que temos tido…” (o que não era de se estranhar pois eles estavam vivendo em meio a CRISE NAS INFINITAS TERRAS).Temos também a menção um determinado culto da América do Sul trabalhando para que esse mal retorne, causando assim propositalmente caos com eventos inexplicáveis na intenção de incrementar a credulidade da população no sobrenatural a fim de gerar a energia necessária para realizar seu intento. E é aí que entra o interesse do mago no Monstro, já sabendo de seu potencial como o último Elemental do Verde, manipulando-o para interferir nesses eventos e impedir o ascensão do poder do culto, mas é claro, em se tratando desse título, não tivemos ameaças convencionais, ainda que as histórias tenham se mantido nos temas clássicos, usando vampiros, lobisomens, zumbis e casas mal assombradas, aqui eles não são nem de longe os clichês que estamos acostumados, sendo reinventados de modo a continuar como narrativas de terror e suspense, porém carregadas de profundas mensagens sobre ambientalismo, feminismo e racismo, temas como citei anteriormente, ainda muito atuais. Enfim, o mesmo tom politizado normalmente utilizado por Alan Moore, nesses casos especialmente inspirados.

O mesmo pode-se dizer do time de artistas Stephen Bissette, John Totleben, Stan Woch, Rick Veitch, Alfredo Alcala e Ron Randall. Simplesmente não consigo imaginar essas histórias sem o tom sombrio único criado por esses caras.

Dizer que  A Saga do Monstro do Pântano é uma obra-prima atemporal dos quadrinhos seria chover no molhado. Apenas tenham essas edições em casa, cuidem bem delas e permitam que as próximas gerações também tenham acesso ao seu conteúdo!

Resenha anteriores de MONSTRO DO PÂNTANO:

A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO – LIVRO UM

A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO – LIVRO DOIS

MONSTRO DO PÂNTANO: RAÍZES – VOLUME 1

MONSTRO DO PÂNTANO: RAÍZES – VOLUME 2

MONSTRO DO PÂNTANO: OS NOVOS 52

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