RESENHA: HELLBLAZER INFERNAL VOL. 5 – AMOR IMPURO

Por Henry Garrit

Depois do conturbado rompimento com sua namorada, John Constantine perdeu a motivação para a vida e caiu literalmente na sarjeta, tornando-se um morador de rua. Porém o passado do mago não o deixa em paz, não importa o quanto ele queira, forçando um encontro com o Rei dos Vampiros; E o que já seria difícil para ele em seu auge, torna-se uma batalha praticamente impossível de ser vencida por John em seu atual estado de fragilidade.

Em outro momento, o passado continua não dando tréguas quando uma passagem bizarra e traumática de sua juventude é revisitada, reabrindo velhas feridas numa das histórias mais chocantes do personagem desde que seu caminho seu cruzou com o Primeiro dos Três conforme vimos na resenha de Hábitos Perigosos.

A dupla Garth Ennis e Steve Dillon cobre todo o encadernado, fazendo jus a sua memorável passagem pelo título. É interessante que ao mesmo tempo em que o roteirista tenha redefinido o conceito do personagem com tramas sobrenaturais inteligentes e repletas de reviravoltas (revigorando o excelente legado deixado por Jamie Delano), é no mundo físico que ele firma suas histórias, apresentando situações humanas muito bem construídas, com destaque para a passagem em que mostra o retorno de Kit para casa após o término com Jonh, onde ela reencontra sua família, numa trama sem nenhuma ocorrência sobrenatural, onde Constantine é apenas citado, o que de forma alguma impede que seja uma história digna do título Hellblazer.

Mas o sobrenatural está presente, e exatamente por não ser mostrado de forma tão explicita, acaba sendo muito mais crível do que quando temos magias incandescentes ocupando todos os quadros das páginas. O embate de Constantine com o Rei dos Vampiros enquanto o mago mendigava pelas ruas deu ao autor a oportunidade de mostrar uma realidade nua e crua sobre a vida de pessoas nessa situação, imergindo-nos na caracterização desses personagens, que nos mostram suas angústias e as injustiças que levam alguém a morar nas ruas. O valor de uma pessoa não é medido pelos seus bens materiais e sim pelo seu caráter. E mesmo sendo um trambiqueiro de primeira, John tenta fazer o certo, e ainda que seu conceito de moralidade seja questionável, é difícil julgar alguém na posição dele. Quando se lida com seres infernais, não dá pra ter sempre um final feliz e bonitinho que agrade a todos.

Além dessas questões sociais, o vampirismo também teve vez, e conhecemos um pouco mais da rotina dessas criaturas, suas depravações, o triste fim de suas vítimas… E claro, o embate entre Constantine com o Rei desses seres, cujo desfecho irei me restringir a dizer, foi extremamente satisfatório.

Mesmo que o mundo pareça dar as costas a Constantine, a magia sempre o traz de volta, quase como se ele precisasse ser quem é e fazer o que faz, não importando o quanto ele odeie esse fardo ou odeie a si mesmo. Em dado momento um devaneio relacionado a um piloto morto há anos na guerra assombra seus pesadelos, trazendo ao mago a possibilidade de (redenção seria uma palavra muito forte para ele) retorno às suas atividades, numa conclusão poética que destoa da violência e tragédias presentes no arco.

Merece destaque a história curta “Amor Impuro“, publicada nos EUA na revista Vertigo Jam 1, que dá nome ao encadernado, onde ainda em situação de rua, John barganha uma história em troca de um gole de whisky e a tal história, sem floreios, fala de masculinidade tóxica e a vingança de uma mulher humilhada por um antigo amigo de John, usando para isso alguns livros de seu acervo de magia sombria… “Perturbadora” é a palavra que melhor define a trama. O pior (ou melhor), no entanto, ainda estava por vir.

O volume termina com “Confessionario“, publicado originalmente em Hellblazer Special 1, a melhor do encadernado e a que resume perfeitamente quem é o personagem, mostrando seu passado com um padre psicótico cuja situação não melhorou em nada após ouvir a confissão do próprio demônio – o Primeiro dos Três – pra ser mais exato. Esse é o tipo de história que fica na cabeça, não necessariamente de um jeito bom, mas nos faz refletir sobre diversas questões do mundo real…

Hellblazer: Infernal Vol. 5 foi publicado no Brasil pela Panini dando sequencia a coleção que pretende lançar todas as edições do título na forma de encadernados, mantendo a boa qualidade das edições anteriores.

Se liga no Santuário e não perca nenhuma resenha de JOHN CONSTANTINE: HELLBLAZER!

Coleção INFERNAL:

Vol. 1 – HÁBITOS PERIGOSOS

Vol. 2  – SANGUE REAL

Vol. 3 – ANJOS E DEMÔNIOS

Vol. 4 – MEDO E DELÍRIO

Coleção ORIGENS:

Vol. 1  – PECADOS ORIGINAIS

Vol. 2  – TRIÂNGULOS INFERNAIS

Vol. 3  – NEWCASTLE E A MÁQUINA DO MEDO, ATO I

Vol. 4  – A MÁQUINA DO MEDO – ATO II

Vol. 5 – HISTÓRIAS RARAS

Vol. 6 – O HOMEM DE FAMÍLIA

Vol. 7 – O CORAÇÃO DO MENINO MORTO

Vol. 8 – A HORRORISTA E SANGUE RUIM

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