RESENHA: ASTRO CITY – VOL.2 – CONFISSÃO.

Por Henry Garrit

O adolescente Brian Kinney abandona sua antiga vida e decide tentar a sorte em Astro City, onde vivem os super seres que ele tanto admira. O rapaz logo se adapta a rotina da cidade, construindo aos poucos uma trajetória que o colocaria na caminho do vigilante conhecido como Confessor, realizando seu sonho e também inserindo-o numa carreira repleta de tragédias e sacrifícios.

Como de costume, Kurt Busiek nos apresenta sua obra não pela perspectiva dos consagrados super-heróis que habitam sua cidade fictícia, mas através dos olhos bem humanos de personagens que podem ou não se tornar parte desse panteão, seguindo com suas vidas sem jamais serem abordados de novo ou tornando-se parte da mitologia do lugar.

O Confessor seria uma espécie de “Batman” de Astro City, bem como o Samaritano é seu Superman, a Vitória Alada a Mulher Maravilha e por aí vai. Longe, entretanto, de uma cópia barata, a reinvenção desses personagens usando como base a estrutura desses famosos super-heróis é o grande diferencial do título, que apesar de mostrar batalhas épicas, invasões alienígenas e todo tipo de ação que estamos acostumados a ver nos outros gibis do gênero, aqui o foco se mantém nos bastidores da história e – vejam só – isso acaba se revelando uma trama muito mais interessante no sentido de explorar caminhos comumente ignorados, apresentando uma visão bem mais humana desse universo de fantasia.

Tal como o Confessor é baseado no Batman, ele também tem seu Robin,  – O Coroinha – (nome bobo porém totalmente adequado ao personagem) e claro que ele é o jovem Brian, que fez por merecer a alcunha, conquistando degrau por degrau o direito de se tornar parceiro do vigilante. No decorrer da trama acompanhamos as patrulhas noturnas da dupla de combatentes do crime, que na verdade acabam sendo apenas uma alegoria para um segredo muito maior acerca do Confessor, ao qual cabe a Brian desvendar, mesmo que isso coloque tudo o que conseguiu em risco. Sob a narrativa do jovem, acompanhamos com ele o desenvolvimento da história e descobrimos juntos os seus mistérios, num enredo que é uma verdadeira aula sobre como escrever um pastiche de qualidade com características únicas sem desmerecer a obra original, o que na verdade é o próprio conceito de Astro City: Longe de ser uma paródia, é uma homenagem aos quadrinhos de super-heróis, exaltando suas inúmeras qualidades mesmo ciente de todos os problemas envolvidos, trazendo-os a tona na forma de uma crítica pertinente aos seus exageros, sejam em relação aos trajes coloridos, a hipersexualização ou violência extrema, provando (mais uma vez, se é que alguém ainda duvida) que o gênero é capaz de produzir histórias inteligentes sem perder os elementos juvenis que o fazem ser o que é.

Embora o foco do arco principal seja a jornada de Brian Kinner (e porque não dizer, “As Aventuras de Confessor e Coroinha“?) durante todo o desenrolar temos diversos vislumbres dos outros atores desse espetáculo, e somos sempre lembrados da presença super heroica deles em Astro City.

O encadernado encerra com uma história curta premiada com o Eisner (o Oscar dos quadrinhos americanos) originalmente publicada na edição especial Wizards presents Astro City 1/2: “Você tão Perto“, que mostra um homem atormentado por uma presença que o persegue em sonhos, cujo alívio só pode ser concedido pelos  poderes místicos do Ser conhecido como “O Enforcado“.

Sem muitas surpresas, Astro City: Confissão publicado no Brasil pela Panini diverte do começo ao fim com um texto instigante e a arte extremamente competente de Brent Anderson, além das capas estonteantes de Alex Ross. Leitura obrigatória para quem gosta de super-heróis gostar ainda mais!

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