RESENHA: HELLBLAZER INFERNAL VOL. 6 – CHAMAS DA PERDIÇÃO

Por Henry Garrit

Após passar o diabo (literalmente) superando o fim de seu relacionamento com Kit, John Constantine decide passar um tempo nos Estados Unidos para recalibrar as energias, mas não é que um velho inimigo o encontra e o faz passar (literalmente) pelo inferno?

É mais um volume capitaneado pela dupla Garth Ennis e Steve Dillon em sua memorável passagem pelo título Hellblazer, com histórias adicionais desenhadas pelos artistas convidados William Simpson e Peter Snejberg. Falarei delas adiante, mas o destaque é mesmo o arco que nomeia o encadernado, “Chamas da Perdição“, onde vemos basicamente o que aconteceria se Constantine tentasse levar uma vida normal (dentro do possível com seu histórico). E a resposta é: Não conseguiria, porque os problemas são atraídos para ele como um ímã. E o problema em questão é ninguém menos que um de seus mais renomados inimigos, o Papa Meia Noite, que assim que fica sabendo da chegada de John, (que é dedurado por um personagem chamado Zeerke, guardem esse nome) não mede esforços para infernizar o mago por puro sadismo e desejo incontrolável de vingança. O arco explora pontos importantes do personagem, fornecendo explicações sobre sua irmã Cedella, figura de suma importância, sendo a “ponte de ligação” de Meia Noite com o inferno e a razão dele ter ascendido tão rapidamente tanto nas artes ocultas como financeiramente. Acontece que a história pregressa deles tem diversos detalhes que até então não tinham sido explorados, o que nos ajuda a entender a relação de amor e ódio entre os irmãos.

Meia Noite prende Constantine numa versão do inferno que simula os estereótipos estadunidenses, dando ao roteirista oportunidades perfeitas para alfinetar a hipocrisia do “sonho americano”, usando alegorias exageradas e muita simbologia para desnudar vários desses mitos erráticos da América, não poupando o uso de algumas figuras históricas para tecer suas pertinentes críticas. Obviamente que mais uma vez o Primeiro dos Três interfere, mesmo que preso (por enquanto) ao papel de observador devido ao pacto feito por Constantine com os outros senhores do inferno, porém mesmo impossibilitado de uma abordagem mais direta com certeza não deixa a vida do mago mais fácil com suas maquinações cruéis. A história encerra com um desfecho importante tanto para o Papa Meia Noite quanto para sua irmã, porém em se tratando de magia e principalmente, John Constantine, a gente nunca pode afirmar nada com certeza.

A história “Ato de União” desenhada por Will Simpson nos leva para o passado, especificamente a época em que John fez uma visita ao seu amigo Brendan e conheceu Kitna época namorada dele. Brendan para quem não se lembra, é a pessoa pela qual John se arriscou, enganando o diabo no dia em que ele veio buscar sua alma, o que o obrigou a posteriormente fazer o pacto com os três senhores do inferno. Mais uma vez, Garth Ennis se permite contar uma história divertida sobre amigos bebendo juntos, sem nenhum demônio pulando em seus pescoços e sem nos entediar em nenhum momento com seu texto repleto de ótimos diálogos com os quais podemos facilmente nos identificar.

Confissões de um rebelde irlandês” (desenhada por Steve Dillon) retoma a narrativa para tempo presente, e se na HQ anterior vimos Brendan nos “velhos tempos”, aqui o saudosismo acontece de outra forma: Seu fantasma encontra Constantine e os dois saem para beber relembrando algumas de suas histórias e esclarecendo questões mais recentes. Uma dessas histórias envolve o tal Zeerke (lembram dele?) que foi a causador da morte de um de seus amigos. Ficou faltando John dar o troco nesse carinha… Vamos aguardar.

E a Multidão Delira” fecha o encadernado focando em Chas, talvez o mais fiel amigo de Constantine, no momento brigado com ele após uma discussão que terminou com este forçando sua cabeça dentro de uma privada… Enfim, enquanto assiste um jogo no bar com seus amigos, ele acaba contando uma de suas “aventuras” com o mago após muita insistência desses, a qual envolve fantasmas vingativos e a suposta morte de John, com direito a velório emocionando e o “morto” aparecendo com a cara mais lavada do mundo no melhor estilo “Tom Sayer”.  História que alterna momentos tensos com cenas engraçadas (Garth Ennis sendo Garth Ennis) e coloca Chas de volta ao jogo, apesar de todas as encrencas em que o mago o coloca.

HELLBLAZER INFERNAL VOL. 6: CHAMAS DA PERDIÇÃO foi publicado no Brasil pela Panini dando sequencia a coleção que pretende lançar todas as edições do título na forma de encadernados, mantendo a boa qualidade das edições anteriores.

Se liga no Santuário e não perca nenhuma resenha de JOHN CONSTANTINE: HELLBLAZER!

Coleção INFERNAL:

Vol. 1 – HÁBITOS PERIGOSOS

Vol. 2  – SANGUE REAL

Vol. 3 – ANJOS E DEMÔNIOS

Vol. 4 – MEDO E DELÍRIO

Vol. 5 – AMOR IMPURO

Coleção ORIGENS:

Vol. 1  – PECADOS ORIGINAIS

Vol. 2  – TRIÂNGULOS INFERNAIS

Vol. 3  – NEWCASTLE E A MÁQUINA DO MEDO, ATO I

Vol. 4  – A MÁQUINA DO MEDO – ATO II

Vol. 5 – HISTÓRIAS RARAS

Vol. 6 – O HOMEM DE FAMÍLIA

Vol. 7 – O CORAÇÃO DO MENINO MORTO

Vol. 8 – A HORRORISTA E SANGUE RUIM

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