RESENHA: HOMEM-ANIMAL – O SIGNIFICADO DA CARNE

Por Henry Garrit

A vida de Buddy Baker, o Homem-Animal vem sido engolida por uma crescente de caos, com seus poderes descontrolados, crises familiares e o surgimento de entidades estranhas que podem ter muito mais a ver com suas origens do que ele pensa. E a resposta a esta questão colide diretamente com a liberação de uma entidade maligna capaz de destruir o universo!

Tom Veitch retorna a mais um encadernado da coleção publicada no Brasil pela Panini que encerra sua passagem pelo título. E que encerramento épico, com direito a inserções metafísicas ligadas a xamanismo, profecias ancestrais, e a clássica batalha contra o grande vilão! Tinha tudo pra ser uma grande história, mas…

Sim, todas as pontas soltas são atadas, não deixando nenhuma questão em aberto e completando os ciclos propostos pelo autor, que desde que começou a trabalhar no título fez questão de fincar mitologias próprias para o personagem, contando sua história a partir de vários fronts. O problema é que muitas subtramas  eram apenas cansativas, com críticas que até considero válidas – a um determinado estereótipo de personagem de quadrinhos de super-heróis que apenas reforça uma mensagem de masculinidade tóxica, usado aqui na forma do “Punidor“, uma  paródia do Justiceiro da Marvel mas que serve para todos os seus genéricos. A esposa de Buddy, Ellen, é uma artista que começa a trabalhar com um autor fanático por armas, que roubou ideias de seu filho Cliff e… Bom, é como eu disse, acaba sendo apenas cansativo. (Uma coisa que me incomodou foi o fato dos desenhos dos quadrinhos dentro dos quadrinhos possuírem o mesmo “traço”… Acredito que deveriam ter usado uma arte mais caricata para diferenciar as coisas, mas de forma alguma vou culpar o excelente Steve Dillon por isso, até porque seus desenhos são uma das melhores coisas desse arco, sem deixar de destacar as sempre deslumbrantes capas de Brian Bolland).

Outra subtrama mal aproveitada foi a que envolvia o personagem Travis Cody, agora trabalhando para os laboratórios S.T.A.R., onde acabou caindo numa armadilha e no fim das contas seu conhecimento foi roubado e usado para ajudar a dar poderes ao caricato Buck Samsom, tornando-o o “Metaman“… Que retornaria apenas para uma reviravolta com “verdadeiro” vilão, só piorando as coisas para o lado dos mocinhos.

A trama principal seguiu alterando a origem do Homem-Animal – de novo –  (como se Grant Morrison já não a tivesse atualizado de forma bem sucedida), e enfim, fatos foram acrescentados, (incluindo uma história inteira em flasback desenhada por Steve Pugh) revelando que nunca houve uma nave espacial lhe conferindo poderes, mas sim o “casulo” de um ser maligno e antigo cujo pai – o suposto verdadeiro pai – de Buddy seria adversário e o treinaria para enfrentá-lo quando chegasse a hora, unindo forças com outros de seus “irmãos”, incluindo a super-heroína Víxen. As tramas se conectam no fim, e no que se refere a fechar sua história, Tom Veitch foi feliz. Não que fechar a história signifique que ela é excelente, mas pelo menos concluiu aquilo a que se propôs.A forma como os apocalípticos  eventos são resolvidos, não seria problema para mim se não descaracterizasse tanto os personagens, principalmente Buddy. (E a nova “mecânica” de como seus poderes começam a funcionar). Tom Veitch trouxe boas ideias mas não conseguiu executá-las de forma que se encaixassem na continuidade do personagem, mesmo sabendo que nos quadrinhos a continuidade é fluída, até mesmo nesses casos é preciso fazê-lo com cautela para não mudar as coisas de forma abruta demais. Tanto que nas histórias seguintes, já nas mãos do roteirista Jamie Delano, a origem do Homem-Animal seria revisada de novo, e os elementos inseridos por Veitch se não ignorados, se tornaram supérfluos.

Com um começo promissor e um desenvolvimento fraco, Tom Veitch deixou a desejar com um final que se talvez fosse usado numa outra história com outro personagem, seria incrível, mas com o Homem-Animal, na minha opinião não funcionou.

Vamos torcer para que a nova equipe criativa traga de volta as histórias do personagem aos trilhos… Então fique ligado e não perca a próxima resenha!

Resenhas anteriores de HOMEM-ANIMAL:

Fase Grant Morrison:

O Evangelho do Coiote

A Origem das Espécies

Deus Ex Machina

Fase Peter Milligan:

Nascido Para Ser Selvagem

Fase Tom Veitch:

Réquiem Para Uma Ave de Rapina

O Senhor dos Lobos

Fase Jeff Lemire:

Os Novos 52

Espécie Anormal

Evolua ou Morra

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s