RESENHA: ASTRO CITY – VOL.3 – ÁLBUM DE FAMÍLIA.

Por Henry Garrit

Astro City segue como uma espécie de capital mundial dos super-heróis, ainda que a história deixe claro que eles existem em todos os lugares do mundo (No Rio de Janeiro, por exemplo, os cariocas contam com a proteção das “Aves-do-Paraíso“), com tramas interligadas (ou não) sempre nos mostrando o mundo super heroico pela perspectiva de seus cidadãos ou mesmo pelos olhos dos próprios fantasiados, evidenciando nesses casos muito mais seu lado humano do que a lenda que seus nomes carregam.

ASTRO CITY: ÁLBUM DE FAMÍLIA publicado no Brasil pela Panini, não poderia ter título mais apropriado, sendo aberto por “Bem-Vindo a Astro City“, que conta a história de um pai divorciado que acaba de se mudar para a cidade com suas duas filhas, e em meio as turbulências da cidade grande (agravadas pela presença dos super seres), deve decidir se esta é ou não a melhor opção de lugar para criar as meninas. Vemos uma ameaça sobrenatural de nível extremo sendo combatida pela aliança das equipes Guarda da Honra, Primeira Família, Os Irregulares, e os heróis Vitória Alada e Cavalheiro na linha de frente, enquanto outros vigilantes sem super poderes como o Caixa de Surpresas, Balestra, Bambambão e a dupla Rouxinol e Colibri Solar se mantém nas ruas protegendo as pessoas e evitando uma onda de crimes (sem contar na aparição do Enforcado, que parece não se envolver diretamente na batalha, resumindo-se a proteger seu território, o Morro da Sombra). A grande batalha é decidida de forma a não nos revelar detalhes de como aconteceu, afinal, estamos acompanhando tudo pela perspectiva de um civil, e não dos heróis nas alturas, então, tão de repente como o problema começa ele é encerrado, (um mistério é lançado sobre o falecido herói Agente de Prata, em cuja estátua em seu memorial consta a frase: “Para nossa eterna vergonha“), e novas escolhas são feitas. A citada história funciona como apresentação de todo o conceito da série e serve como ponto de partida para novos leitores,  e não satisfeita, recebeu o prêmio Eisner de melhor edição avulsa.

Eu estava muito curioso sobre quando iríamos ter histórias da Primeira Família, (First Family no original) e é aqui que isso acontece, com “Mais um Dia” e “Aventuras em Outros Mundos“, ainda não da forma extensa que gostaria, mas já bem satisfatória, onde acompanhamos a caçula Astra em uma missão pessoal ao mesmo tempo em que temos a origem do grupo. Um bela homenagem ao Quarteto Fantástico e seus criadores, Stan Lee e Jack Kirby.

Sobre a também premiada com o Eisner de melhor edição avulsa, “Mostre a Todos“, temos a história de Hiram Potterstone, um gênio da engenharia aposentado compulsoriamente por idade, que decide mostrar a todos que não deveriam subestimar seus talentos… E para tanto ele decide se tornar um super vilão, saindo-se bem até demais no novo “ofício”. Apesar de tudo, não tem como não simpatizar com o cara. Essa edição é o puro suco de Astro City, um lugar onde o protagonismo é itinerante e cada alma tem sua própria história… A premissa básica (e genial) proposta por Kurt Busiek ao título.

Dentes de Serpente” e “Dias dos Pais” reforçam mais a questão familiar deste compilado, abrindo espaço para o Caixa de Surpresas, (Jack In The Box, no original) que embora já tivesse sido apresentado com certo destaque antes, ainda não tinha tido seu momento solo nas páginas de Astro City. Essas histórias contam sua origem, seu legado, falam sobre seu passado, seu presente e as possibilidades de seu futuro, levantando um dos maiores dilemas entres pessoas com profissões de risco: Seguir com vocação ou deixar tudo em nome da família? O que me incomodou aqui foi nos vermos diante de eventos mirabolantes demais até para os padrões da cidade, mas seja pela própria reputação do lugar ou a vivência diária dos personagens, o inexplicável é aceito muito rápido e com muita naturalidade e a história até consegue passar a mensagem desejada, mas esse é um campo minado… É preciso tomar muito cuidado com os limites da nossa suspenção da descrença, que aqui por pouco não foi extrapolada.

E “suspenção da descrença” é o termo chave para a última HQ do encadernado, “Astro das Telas“, onde conhecemos a história de Léo LeléUm leão de desenho animado que ganhou vida! E sim, por mais que este tema seja considerado muito mais absurdo (ou não) do que o abordado na história anterior, aqui esse absurdo não surge do nada, ele é preparado com cautela e cozido lentamente diante de nossos olhos, de modo que que quando “fica pronto”, nós já acreditamos o bastante na história para nos manter interessados nela. Curiosamente, essa crença no impossível é um dos temas abordados, talvez propositalmente pelo autor, o que de fato nos ajuda a manter a mente aberta e embarcar pelas veredas do impossível. Interessante notar a presença do herói Cavalheiro, claramente inspirado no Capitão Marvel Shazam que tem importância fundamental na origem do cartunesco Léo Lelé. Não por caso (não mesmo), o detentor dos poderes de Shazam tinha em suas histórias clássicas um amigo chamado “Sr. Malhado” que era um tigre falante. E Kurt Busiek marca mais pontos no placar das referências!

Com arte competente de Brent Anderson, capas lindíssimas de Alex Ross (que também colaborou com o conceito visual de vários personagens) e o texto inovador (para a época em que foi lançado e ainda atual) de Kurt Busiek, Astro City se mantém como uma das leituras mais prazerosas até para o mais exigente fã de quadrinhos de super-heróis!

Não perca nenhuma resenha de ASTRO CITY:

Vol. 1 – Vida na Cidade Grande

Vol. 2 – Confissão

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