RESENHA: A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO – LIVRO CINCO

Por Henry Garrit

Depois do quase fim do mundo, onde o Monstro do Pântano e vários dos personagens de ordem mística da DC capitaneados por John Constantine enfim obtiveram a vitória (não sem diversas perdas em suas fileiras), é chegada a hora de voltar para casa – para aqueles que tem uma casa para voltar – como diria o Vingador Fantasma. Porém, se passou muito mais tempo do que a criatura do pântano acreditava enquanto batalhava nas paragens do sobrenatural e em sua ausência, sua amada Abby Cable foi presa depois do vazamento de fotos íntimas entre eles, acusada de algum tipo não especificado de perversão sexual em virtude de sua relação com o Monstro do Pântano, agravado pelo fato dela trabalhar com crianças. É nesse cenário de injustiça e intolerância que nosso protagonista retorna e ele não está nada feliz!Alan Moore construiu uma ligação tão natural entre e Abby e o Monstro do Pântano em sua narrativa que em nenhum momento seu namoro pareceu ser algo indecoroso. O amor deles sempre foi puro, inabalável… Mesmo que o marido de Abby seja um vegetal… E estou falando de Matt Cable, em coma depois de ter sido possuído por Arcane, e nem isso soou como desonra ou algo realmente impeditivo à relação entre Abby e Alec (como ela insiste em chamar o Monstro do Pântano, e tudo bem). É claro que aos olhos de quem não estava a par do relacionamento dos dois, a aproximação deles logo pareceu indecente e até mesmo antinatural (tsc) e movidos por esse preconceito e intolerância (nada de novo no front), Abby foi presa sem poder contar com o apoio de seu amado.

A partir desse volume, as histórias começam a tomar um novo rumo, não abandonando completamente o clima de terror que sempre permeou o título, seja visual ou textualmente, mas temos uma aproximação à ficção científica e fantasia, onde Moore, para surpresa de zero pessoas, se mostra tão bom quanto. Temos o resgate de Abby em Gotham, com Alec tocando o terror exigindo a libertação dela, o que o coloca em confronto direto com o Batman. Obviamente, o Homem-Morcego não é páreo para a criatura verde, agora no auge de seu poder, não que ele se esforce muito para ferir o Monstro, preferindo agir com o cérebro detetivesco para entender o contexto geral, chegando assim a conclusão de que o Monstro do Pântano está certo e Abby precisa ser libertada.Velhos rostos, nem todos agradáveis retornam nesse arco, como Chester Williams, que vimos em edições anteriores fazendo experimentos com o tubérculo expelido pelo corpo de Alec, capaz de causar alucinações, e Wallace Monroe, que apareceu na história do Fuça-Radiotiva (aqui ele revela o destino de sua esposa grávida, após a contaminação: Infelizmente o bebê nasceu morto e ela se encontra muito doente). Porém a grande surpresa fica por conta de antigos desafetos que pensávamos já ser página virada, como Dwight Wicker, que trabalhava para o famigerado general Sunderland (da inesquecível história “Lição de Anatomia“), além de Liz Tremayne e Dennis Barclay, amigos de Abby e Matt que se pensava estarem mortos, mas falo deles em seguida.

Visualmente as histórias estão espetaculares, graças aos esforços da nova equipe de arte que se junta a Alan Moore: Rick Veitch, John Totleben e Alfredo Alcala (que já atuavam no título esporadicamente, mas a partir do número 51 se tornaram regulares), com cenas sensacionais, como a aquela onde o Monstro do Pântano surge de um botão de rosa nas mãos de Abby enquanto ela está no tribunal ou mesmo o ataque dele a Gotham, com direito a criação de uma versão gigante de si caminhando por entre os prédios.

O retorno de Liz e Dennis, cria um hiato para a transição do tom da revista, mostrando Abby sozinha após a suposta morte de Alec tendo que lidar com Liz em pleno surto após sofrer abusos de Dennis, que se mostra completamente obcecado por ela e com impulsos assassinos, causados ou não pelos traumas que sofreram, o que não justifica suas ações. Um thriller onde as meninas precisam lutar para sobreviver, com uma Abby Cable muito mais altiva, e distante da mocinha que precisava ser resgatada nos primórdios da história.

A grande virada se dá quando Wicker consegue o que parecia ser impossível: Matar o Monstro do Pântano (o que se foi possível graças a consultoria de Lex Luthor – que cobrou a bagatela de um milhão de dólares por dez minutos). Mas claro, a verdade é que embora eles tenham conseguido impedir Alec de enviar sua consciência para um novo corpo embaralhando os sinais específicos à sua volta, não o mataram como queriam, mas o obrigaram a lançar sua mente para o espaço profundo, onde ele enfim alcançou um mundo desolado, onde se reconstituiu com a flora local, onde tudo era feito de tons de azul. Essa nova realidade permitiu que o autor brincasse (ainda mais profundamente) com esses conceitos de vida fora do corpo, mostrando que até o mais poderoso ser pode ser enclausurado e a suposta imortalidade de Alec poderia ser uma prisão infernal de solidão e loucura.É como eu disse antes, o título ganhou aqui esse escopo de ficção científica e fantasia, mas ainda com o pezinho no terror gráfico e principalmente, psicológico.

A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO – LIVRO CINCO foi publicada no Brasil pela Panini, sendo a penúltima sob a batuta de Alan Moore. Acompanhe as novidades do Santuário e não perca a próxima resenha!

Resenha anteriores de MONSTRO DO PÂNTANO:

A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO – LIVRO UM

A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO – LIVRO DOIS

A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO – LIVRO TRÊS

A SAGA DO MONSTRO DO PÂNTANO – LIVRO QUATRO

MONSTRO DO PÂNTANO: RAÍZES – VOLUME 1

MONSTRO DO PÂNTANO: RAÍZES – VOLUME 2

MONSTRO DO PÂNTANO: OS NOVOS 52

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