RESENHA: LIGA DA JUSTIÇA – SNYDER CUT

Por Henry Garrit

Muito bem, acabei de assistir o corte original do diretor Zack Snyder para o filme LIGA DA JUSTIÇA. Depois de tantas polêmicas e discussões na internet, o filme realmente ganhou vida, com mais de quatro horas de duração e muitas surpresas em relação a versão apresentada em 2017, interrompida na época por Snyder devido a uma tragédia familiar, sendo substituído por Joss Whedon, famoso pela direção dos dois primeiros filmes dos Vingadores e pela criação da personagem Buffy, a Caça Vampiros.

Antes de assistir a nova versão através do Google Play, decidi assistir novamente o Liga da Justiça de 2017 no dia anterior, disponível na Netflix, na intenção de ter bem fresca na memória as diferenças entre eles e assim ser capaz de fazer uma melhor comparação entre as obras. O que pode ter sido um esforço inútil, pois não há comparação a ser feita. O que fica nítido é que a versão de Whedon é uma simplificação preguiçosa do projeto do Snyder. E não, não vamos colocar Liga da Justiça como uma obra prima do cinema, um divisor de águas para a sétima arte… Nada disso. Vamos conversar aqui com muita humildade, como fãs de quadrinhos, apreciadores das adaptações dos personagens para o cinema, cientes de todos os seus erros e acertos. E com isso em mente, digo que dentro deste critério, o corte de Zack Snyder é um dos melhores filmes de super-heróis que já assisti.

Muitos podem dizer que a versão anterior era muito ruim, e estão corretos nisso. O filme carece de explicações, tem soluções convenientes para os problemas, um vilão decepcionante e efeitos que deixaram muito a desejar, começando pelo malfadado bigode do Superman (Henry Cavill) que teve que ser disfarçado digitalmente. Ora, mas se o Lobo da Estepe era decepcionante antes, agora ele deixou de ser? Infelizmente não, apesar das inegáveis melhorias visuais, as ótimas novas sequencias de luta e a motivação do personagem que ganhou (um pouco mais) de profundidade, ele ainda está longe de ser um vilão digno de nota. Todo o destaque vai para o seu mestre, esse sim um adversário marcante, possivelmente o maior nêmese do Universo DC, criação do mestre Jack Kirby, DARKSEID!

Mas o mais importante a se dizer sobre esse filme é seu desenvolvimento. Com tempo de sobra para mostrar com detalhes as nuances dos personagens (coisa que ficaria muito difícil de fazer nos cinemas com uma duração tão longa), conhecemos melhor as dores e as provações de cada um deles, todos eles, mas quero destacar aqui o personagem de Ray Fisher, Victor Stone, o Ciborgue. Com seu tempo de tela mutilado no filme exibido nos cinemas, aqui temos sua história de origem contada em flashbacks, seguida por sua tragédia e o duro caminho até se tornar um herói. E embora eu seja de uma faixa etária que sempre vai associar o personagem aos Novos Titãs, não há como dizer que ele não mereceu seu lugar entre os melhores do mundo na Liga.

Uma grande pergunta que se fazia era se esse corte era mesmo necessário, se acrescentaria alguma coisa ou seria apenas uma versão mais longa de um filme ruim. Bem, acho que já respondi essa, mas reitero. Que bom que o público pôde ter a oportunidade de conhecer as ideias originais conectando elementos dos filmes O HOMEM DE AÇO e BATMAN VS SUPERMAN, até chegarmos ao ponto que o diretor de fato queria nos trazer, expandindo-o ainda mais, e deixando um multiverso de possibilidades em aberto.

Em suma, o famigerado SNYDER CUT não se trata simplesmente de uma versão com cenas extras. Decisões chave dos personagens no decorrer do roteiro os fazem tomar rumos totalmente diferentes, levando a caminhos completamente distintos. Detalhes antes ignorados agora se tornam momentos tocantes, potencializados por uma trilha sonora certeira, incluindo emoção onde antes havia apenas movimentos artificiais. A carga dramática é levada ao limite algumas vezes, o tom sombrio inerente ao diretor contagia cada cena, mas isso não significa que o filme tenha uma energia baixa. Os eventos que levam os heróis à ação exigem deles uma postura à altura, onde piadinhas infames usadas com o intuito de criar “alívios cômicos” apenas soariam forçadas. Existem é claro, breves momentos descontraídos, principalmente nos comentários ingênuos do Flash (Ezra Miller), o que faz sentido porque é algo condizente com sua personalidade.

O que posso dizer, em síntese, é que este é o mesmo filme de antes. E É TAMBÉM UM FILME DIFERENTE. Sigamos nessa corda bamba contraditória em que nos apoiamos durante toda a exibição. Mas acima de tudo, é um filme melhor, com heróis melhores e muito mais coeso e divertido.

ATENÇÃO! AVISO DE SPOILERS. CONTINUE LENDO POR SUA CONTA E RISCO!

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Algo que vinha me incomodando era o abandono do pesadelo de Bruce Wayne (Ben Affleck), onde conhecíamos um futuro apocalíptico dominado por Darkseid, que supostamente tomou posse da tão desejada EQUAÇÃO ANTI-VIDA e tornou o Superman seu escravo obediente. Tínhamos ali um Batman liderando uma espécie de resistência contra o fascista cósmico, algo que poderia ser evitado através do aviso do Flash, que ao voltar ao passado, disse que Lois Lane (Amy Adams) era a chave.

Finalmente temos respostas, senão concretas, muito mais elucidativas sobre o fato. Após vencerem o Lobo da Estepe de forma épica (garfado pelo tridente do Aquaman (Jason Momoa) e decapitado pela Mulher Maravilha (Gal Gadot) – que jogou sua cabeça aos pés de Darkseid), vemos que a ressureição do Superman pode sim ter graves consequências. É fato que Darkseid não desistirá da Terra agora que ele sabe que é onde a Equação Anti-Vida se esconde, e que em algum momento desse ataque, Lois será morta, o que fragiliza o Superman emocionalmente ao ponto de deixá-lo vulnerável ao controle do Senhor de Apokolips. Num retorno a esse futuro devastado, temos mais indícios disso, e um improvável grupo de rebeldes liderados pelo Batman: Mera, (Amber Heard) Exterminador, (Joe Manganiello) Flash, Ciborgue e o Coringa, (Jared Leto) que deixa bem claro que eles estão lidando com linhas temporais desastrosas onde a culpa, segundo ele, é sempre do Batman.

O gancho perfeito para uma continuação? SIM. Ela vai acontecer? NÃO SEI. Mas sinceramente, gostaria que sim, de preferência com uma participação maior do Caçador de Marte, (Harry Lennix) a chegada de um Lanterna Verde e quem sabe uma certa mulher alada de Thanagar…? Bom, não vamos criar expectativas, mas depois de ver que o “SNYDER’S CUT JUSTICE LEAGUE” realmente aconteceu… Quem sou eu pra dizer o que é impossível?

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