RESENHA: MESTRES DO UNIVERSO – SALVANDO ETERNIA!

Por Henry Garrit (Universo Sincronia)

Seria tolice apresentar o He-Man, certo? Mesmo os que não viveram a áurea fase da exibição do desenho animado clássico ou suas reprises ou seus reboots, já se depararam com o personagem em algum momento, seja através de algum meme ou ouvindo alguém reproduzindo seu famoso grito de transformação.

He-Man foi um sucesso estrondoso cujo reconhecimento reverbera até hoje, (talvez um pouco demais) na mente dos antigos fãs, hoje nas casa dos quarenta. Ciente disso, a Mattel Television numa parceria com a Netflix lançou na nova versão do desenho, não um novo reboot, mas a continuação direta da história do desenho clássico, capitaneada pelo cineasta e quadrinhista Kevin Smith, não por acaso um grande fã cinquentão desse universo. Mestres do Universo: Salvando Eternia (Master of Universe: Revelation no original) é puro saudosismo, resgatando os personagens clássicos, o que não significa que esteja preso a mesma linha narrativa usada em 1983 quando o desenho estreou nos EUA. Embora a nova iniciativa seja um verdadeiro retorno para aquela Eternia de que nos lembrávamos, ela agora está sendo contada para uma nova geração, ainda que todos os antigos apreciadores sejam bem vindos e tenham a compreensão de que quase quarenta anos separam uma produção da outra. Assim sendo, temos um aprofundamento na trama, onde os personagens deixam de ser bidimensionais e ganham novos níveis de personalidade. Quebrando o velho estigma do “bem contra o mal”, vemos que ninguém é totalmente luz ou escuridão, ainda que obviamente alguns demonstrem sem dúvida o direcionamento do seu caráter, vemos alianças impensáveis, e conseguimos ver Eternia pelo ponto de vista dos “vilões” ao passo de que o desenho também nos mostra que os “heróis” não são infalíveis e também são capazes de cometer erros e injustiças.

Vale salientar que ainda que dê continuidade ao desenho clássico, o visual desde os personagens até o Castelo de Grayskull remete à linha de brinquedos da Mattel, o que faz sentido, uma vez que o objetivo da animação sempre foi vender esses produtos pra começo de conversa. Então, mesmo não tendo o visual exato do desenho dos anos oitenta, usa-se a estética dos bonecos que eram vendidos nessa época, mantendo-se assim o clima de nostalgia. Algumas atualizações práticas também foram tomadas, como a drástica mudança visual entre o Príncipe Adam e He-Man, agora sim justificando o fato de ninguém reconhecê-los após a transformação.

Muito se falou também sobre o protagonismo da personagem Teela e o “apagamento” de He-Man na maior parte dos episódios. Bem, sobre a Teela, a verdade é que ela (capitã da guarda real aqui promovida para “mentora”) bem como várias outras personagens femininas sempre tiveram protagonismo, ainda que antes obrigatoriamente fosse preciso que He-Man estivesse presente, e o que vemos na versão atual é que por motivos óbvios, ele não aparece em todos os episódios porque… (ALERTA DE SPOILER) se sacrifica junto com o Esqueleto logo no primeiro capítulo, dando sua vida para salvar Eternia e todo o universo.

O que vemos a seguir são as consequências disso, e o que aconteceu com Eternia sem a presença de seu maior campeão e seu pior nêmese. Um dos efeitos colaterais imediatos desse sacrifício é a escassez da magia, obrigando os eternianos a recorrer cada vez mais à ciência, e o surgimento de fanáticos extremistas seguidores do Triclope, dispostos a acabar de vez com a magia no planeta. Mas o efeito mais devastador foi o emocional, principalmente naqueles que eram mais próximos tanto do Esqueleto quanto do He-Man. E talvez mais ainda para duas representantes de cada lado que presenciaram suas mortes, Teela e Maligna.

Temos uma passagem de tempo onde vemos que os eternianos seguiram com suas vidas, o mundo foi salvo afinal, mas isso não significava que havia se tornado um paraíso. Muitas batalhas internas continuaram ocorrendo, mas uma ameaça ainda se fazia presente; com o fim da magia, cuja fonte residia no subsolo do Castelo de Grayskull, Eternia e todo o universo também sucumbiria, o que, sob a orientação da Feiticeira e do Mentor, fez surgir uma aliança improvável entre Teela, Andra, Maligna, Gorpo, Homem-Fera Roboto, numa jornada emocionante e perigosa pelos confins de seu mundo. E que jornada! Repleta de heroísmo, superação e sacrifício! Que verdadeiro espetáculo foi ver o Gorpo dando tudo de si e provando que sempre foi merecedor do nome escolhido pelos pais (“Oracle” Orko no original). Conhecemos um lado até então escondido da Maligna e Teela vencendo os fantasmas do passado e assumindo seu papel como a guerreira nata que é. Cada um cumprindo sua função para vencer os obstáculos até alcançar a vitória.

Mas e o He-Man?

Como dito acima, ele se sacrificou, mas isso ainda não era o fim. Do Reino dos Heróis onde sua alma repousava, ele acabou sendo resgatado, ainda que isso tenha significado o retorno do Esqueleto também, que o mata uma segunda vez e toma sua espada do poder, obrigando-nos a ouvi-lo dizer as palavras: “Eu tenho a força“, reivindicando desta forma os poderes de Grayskull para si, adquirindo o status de um deus. (O que me pareceu uma referência ao que acontece com ele no live action Masters of Universe de 1987, estrelado por Dolph Lundgren).

E desta forma termina a primeira parte de MESTRES DO UNIVERSO: SALVANDO ETERNIA transgredindo a narrativa da animação dos anos oitenta ao incluir um elemento de imprevisibilidade e acrescentando um pouco mais de maturidade ao roteiro, operando algumas mudanças com pulso firme, ainda que respeitando a essência de cada personagem.

Isso quer dizer que o mal venceu? Quem será capaz de deter o Esqueleto agora?

Só saberemos disso quando a segunda parte estrear, mas existem rumores em Eternia de que seu maior campeão retornará para salvá-los do mal em seu momento de maior necessidade. Ou nas palavras do showrunner Kevin Smith: “Vejo pessoas online dizendo ‘hey, eles se livraram do He-Man’. Tipo, você realmente acha que a Mattel Television, que me contratou e me pagou dinheiro, quer fazer uma série de Mestres do Universo sem o He-Man? Cresça, cara. Isso me surpreendeu, um monte de pessoas falando ‘olha, isso parece uma enganação’”.

Que os Poderes de Grayskull continuem a guiá-lo!

3 comentários sobre “RESENHA: MESTRES DO UNIVERSO – SALVANDO ETERNIA!

  1. Eu não sabia que eu amava tanto o Gorpo antes de assistir a essa nova versão do desenho…

    Fiquem com a gente e não deixem de acompanhar todas as publicações especiais em comemoração aos 10 anos do Santuário!

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