RESENHA: O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA – VOL. 1

Por Henry Garrit

Edward Spellman, o sumo sacerdote da Igreja da Noite, se viu diante de um grande dilema ao decidir se casar com uma mulher mortal, algo que vai totalmente contra a lei dos bruxos, porém, ele parecia ter seus próprios motivos e conseguiu convencer o conselho a aprovar sua união com Diana Sawyer, que concebeu sua filha meio humana, meio bruxa: Sabrina Spellman. As consequências desse ato no entanto não tardaram a chegar, causando a ruptura da família, fazendo com que Sabrina fosse criada por suas tias Zelda e Hilda. Agora, prestes a completar dezesseis anos, ela precisa escolher se vai assinar seu nome no livro do Senhor das Trevas ou optar por ser uma mortal, livre para viver seu grande amor mas destituída das regalias de ser uma bruxa. Ao mesmo tempo, uma velha inimiga de sua família retorna do inferno sedenta de vingança e fará de tudo para atormentar Sabrina e seu coven.

Embora uma considerável parcela do público esteja familiarizada com esses personagens através das séries de tevê Riverdale e O Mundo Sombrio de Sabrina (onde ela é interpretada por Kiernan Shipka), a editora de quadrinhos onde eles surgiram já tem um logo currículo, tendo estreado em 1939 com o nome de MLJ Comics, começando a publicar as aventuras de Archie Andrews e sua turma a partir de 1946 com tamanho sucesso que renomeou a editora para Archie Comics. Embora esses quadrinhos não tenham tido grande repercussão no Brasil pela falta de interesse das editoras nacionais de trazer esse material para cá, ficaram famosos através de desenhos animados como Josie e as Gatinhas, por exemplo. Já a bruxinha adolescente foi criada em 1962 pelos quadrinistas George Gladir e Dan DeCarlo e nos anos 90 ganhou sua primeira série de tevê,  Sabrina, Aprendiz de Feiticeira (interpretada por Melissa Joan Hart) seguindo o tom cômico e os dramas românticos de suas HQs clássicas, rivalizando com o dilema de ser meio bruxa e meio humana, contando com a obrigatória presença de suas icônicas tias Zelda e Hilda e claro, seu gato falante, Salem.

Várias versões dos personagens da Archie já foram apresentadas no decorrer do tempo, mas em 2013 o premiado escritor e roteirista Roberto Aguire-Sacasa lançou pela selo de terror da editora, o “Archie Horrors”, uma releitura desses personagens, homenageando os gibis clássicos do gênero, primeiro com “Archie – Mundo dos Mortos” (Afterlife with Archie no original) – com arte do incrível Francesco Francavilla – segundo o próprio autor, uma história repleta de elementos da mitologia de H. P. Lovecraft ao mesmo tempo em que foi sua homenagem ao Monstro do Pântano de Alan Moore, onde Sabrina fazia apenas uma participação, mas com o sucesso da publicação, não demorou para que ela protagonizasse seu próprio título nos mesmos moldes, desta vez descrito pelo autor como sua carta de amor destina ao Sandman de Neil Gaiman.  Assim, em 2014 surgiu a HQ “O Mundo Sombrio de Sabrina“, (Chilling Adventures of Sabrina no original) a qual inspirou a série da Netflix (capitaneada pelo mesmo Aquire-Sacasa), o que pode ter gerado algum desconforto para os que esperavam rever a bruxinha adolescente da série anterior, pois embora muitos de seus elementos tenham sido preservados, aprofundou-se muito mais na temática da bruxaria, entregando alguns momentos realmente dignos das prometidas histórias de terror, que embora tenha tido um polêmico e (insatisfatório) final, conseguiu ser interessante em sua trajetória. Mas isso é (literalmente) uma outra história, pois os enredos do quadrinho e da série de tevê tomam caminhos distintos, sendo, apesar de semelhantes, tramas diferentes.

A principal mudança é o fato da história do quadrinho se passar nos anos sessenta (auge de algumas das histórias de terror norte-americanas homenageadas, bem como as próprias publicações da Archie) e é mais densa, ainda que também mais simples sob certos aspectos.

Com arte e cores de Robert Hack que imprimem com exatidão a atmosfera sombria que permeia o gibi, O Mundo Sombrio de Sabrina é uma grata surpresa, sendo além de um resgate de um gênero que vem sendo deixado de lado nos últimos anos, uma ótima revisão da personagem, trazendo coisas novas e reforçando elementos já existentes, excluindo os toques de humor e substituindo-os por terror genuíno mesmo que ainda reste algum drama adolescente.

O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA Vol. 1 foi publicado no Brasil pelo selo Geektopia da Novo Século reunindo as edições de “Chilling Adventures of Sabrina – Vol. 1: ‘The Crucible‘”

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