RESENHA: MALIGNO – Novo terror de James Wan!

Por Henry Garrit

Madison Mitchell (Annabelle Wallis) vive um casamento conturbado até que um caso de violência doméstica culmina na invasão de sua casa seguida por uma onda de eventos inexplicáveis envolvendo mortes violentas que se conectam a sua mente como se algum tipo de elo psíquico houvesse se estabelecido entre ela e o assassino conhecido como Gabriel. Com a ajuda dos detetives Kekoa Shaw (George Young), Regina Moss (Michole Briana White) e da irmã de Madison, Sydney (Maddie Hasson), ela começa a tentar desvendar esse mistério, destravando lacunas há muito adormecidas, só que quanto mais perto chega da verdade, maior é o perigo para ela mesma e para as pessoas que ama.

O diretor James Wan já imprimiu seu estilo, sendo responsável por sucessos como Aquaman e Velozes e Furiosos 7, consolidando-se entretanto no gênero de terror onde desponta como um de seus principais expoentes da atualidade através de franquias de sucesso como Sobrenatural (Insidious) Jogos Mortais (Jigsaw) e Invocação do Mal (The Conjuring), sendo o responsável pela direção dos dois primeiros filmes desta última e abrindo mão do terceiro justamente para se dedicar a Maligno (Malignant), então o mínimo que os fãs poderiam esperar era uma história forte o suficiente que justificasse tal escolha. Muitos podem dizer que essa não foi a melhor decisão, porém acredito que estão errados. Maligno apresenta uma trama inovadora, ainda que continue sendo toda construída dentro do estilo já característico do diretor, que verdade seja dita, foi o responsável por alguns dos melhores filmes de terror dos últimos tempos, direta ou indiretamente quando outros profissionais imitam sua forma de contar essas histórias, ainda que o original nem de longe seja equiparável a essas cópias, não há como negar que o tom impresso por Wan elevou o patamar de qualidade dessas produções. E para o bem ou para mal, artisticamente falando, a melhor escolha é tentar abrir novos caminhos, justamente o que ele pretende com este novo filme.

A inovação do elemento do terror aqui surpreende depois de tantas versões requentadas da obra de Wan sendo feitas, reforçando a necessidade que se reinventasse, provando não estar preso a velhas formas e ainda capaz de ousar e nos mostrar que o terror tem várias faces, um gênero longe de estar exaurido, ainda que, bem como ocorre no cinema e nas artes em geral, precisa ser revitalizado de tempos em tempos. É claro que esse é um terreno minado, onde uma linha tênue separa o erro do acerto, o absurdo do crível e o fantástico do ridículo.

Embora toda a estrutura narrativa ainda tenha as digitais do diretor, e que ele tenha trago um elemento até então pouco utilizado em obras voltadas para o grande público, seu conceito não é inédito, tendo sido inclusive usado de modo similar na temporada Freak Show da série American Horror Story, porém o mérito de Maligno está justamente na abordagem diferenciada do tema, aproveitando-se da “banalização” do método James Wan de fazer terror para surpreender o público e nesse quesito, para o bem ou para mal, foi muitíssimo bem sucedido.

Guardadas as devidas proporções da fantasia e do sobrenatural (algo que não deveria incomodar quem se propõe a assistir esse tipo de filme), Maligno cumpre sua função de entreter e assustar, tendo como único pecado ter como ponto alto seu plot twist, o que poderá assombrar os expectadores em sua primeira incursão ao longa, mas já não terá o mesmo impacto ao ser assistido de novo, algo parecido com o ótimo filme O Sexto Sentido (The Sixth Sense) de M. Night Shyamalan, que consegue chocar na primeira exibição mas ainda que continue sendo uma obra exemplar, perde a potência após a revelação de seu clímax, uma aposta arriscada ás vezes evitada por muitos cineastas mas que sempre gera boa repercussão e nos lembra que ainda existem aqueles que prezam por um boa história sem se preocupar em infindáveis continuações duvidosas.

Desnecessário dizer, (mas digo assim mesmo), fuja dos spoilers e corra para garantir a melhor experiência possível assistindo Maligno!

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