RESENHA: MADRE PÂNICO – TRABALHO EM ANDAMENTO

Por Henry Garrit

Violet Paige frequenta a alta sociedade de Gotham e chama a atenção com sua personalidade forte e muita atitude, mas o que poucos sabem é que essa energia é canalizada de forma muito mais intensa à noite, quando ela veste seu traje especial equipado com todo tipo de dispositivos de combate e munida ao seu próprio veículo voador com o qual ataca impiedosamente seus desafetos como a vigilante conhecida como Madre Pânico!

Sim, mais uma vigilante de Gotham, ainda que ela não se entenda como uma heroína uma vez que seus objetivos são de cunho muito mais pessoal, ela acaba abraçando a causa como consequência de seus confrontos violentos, garantindo que apenas seus alvos se machuquem, evitando fazer vítimas inocentes. Assim sendo, esse primeiro volume de MADRE PÂNICO, publicado dentro da iniciativa DC´S YOUNG ANIMAL com curadoria de Gerard Way (Umbrella Academy, Patrulha do Destino) apresenta essa nova personagem, e conforme avança em suas ações vamos descobrindo sobre sua origem e suas intenções. Até aqui, nada de novo sob o céu, com o agravante da personagem atuar em Gotham o que inevitavelmente a coloca no radar do Batman e da “batfamília”, o que tem seus prós e contras. A principal vantagem é que a cidade do homem morcego é fascinante e repleta de possibilidades, tem uma história própria, uma mitologia já difundida no inconsciente coletivo e abre diversas alternativas de aproveitamento de seus elementos e personagens. A parte ruim é justamente por ser Gotham. Quer dizer, era mesmo necessário que surgisse mais uma vigilante em suas ruas? Notem que não estou dizendo que as histórias de Madre Pânico sejam ruins, elas apenas são mais do mesmo, num contexto onde ela facilmente poderia ser substituída pela Batwoman, por exemplo, que por sinal faz uma pequena participação que evidencia as semelhanças entre elas num encontro em que elas praticamente se olham num espelho.

O roteiro de Jody Houser é competente e mostra profundo conhecimento sobre a cidade de Gotham e seus habitantes, por isso conseguiu inserir de forma natural sua nova integrante sem que ela parecesse uma estranha no ninho, e ainda que não seja a revolução inovadora que trará a grande mudança para a indústria dos quadrinhos, (o que seria uma premissa injusta para qualquer novo personagem) apresenta uma boa trama e introduz com sucesso (mais uma) jogadora para o time de vigilantes de Gotham, (não que ela  demonstre querer isso) até o momento com a aprovação (relutante) do próprio Batman.

A arte de Tommy Lee Edwards foi a escolha perfeita, porque o desenhista já tem experiência com esse universo e sabe retratar uma Gotham suja e violenta como ninguém, entregando ótimas sequencias de ação e ajudando a dispersar qualquer sentimento de rejeição que os leitores pudessem vir a ter com a personagem. O arco Coisas Quebradas também publicado neste volume tem arte de Shawn Crystal, e é quando é lançada alguma luz no passado de Violet. A arte aqui é muito caricata, com alguns exageros anatômicos (alguns até compreensíveis dentro das alegorias em que são apresentados) que diferem bastante do estilo de Tommy Lee Edwards, mas nada que comprometa o ritmo e o desenvolvimento da história.

Por falar em Gotham, lembram quando eu disse que a cidade tem história própria? Em algumas HQs backup encartadas nas edições de Madre Pânico (e compiladas todas juntas no encadernado) acompanhamos a história paralela de Debbie Stoner, estagiária numa estação de rádio e filha de um obscuro vigilante já aposentando que se envolve indiretamente no assassinato ao vivo do apresentador do programa, um confesso admirador do Batman, e tem que lidar com seu substituto, cuja forma de pensar é totalmente oposta, inserindo um mistério a ser desvendado. Rádio Gotham tem roteiro de Jim Krueger, que habilmente consegue nos prender numa história sem a presença efetiva de  vigilantes mascarados e arte competente de Phil Hester, que oscila entre o real e o caricato na medida certa, algo que funciona na atmosfera de Gotham como ficou mais do que provado na clássica série de tevê Batman Animated de Paul Dini e Bruce Timm.

O selo Young Animal tem a proposta de inovar velhos conceitos, e embora a apresentação de Madre Pânico tenha rendido uma história interessante, ainda não vimos nada muito diferente do que já vem sendo publicado, então vamos esperar que os próximos números tenham melhores surpresas.

MADRE PÂNICO Vol. 1 – TRABALHO EM ANDAMENTO foi publicado no Brasil pela Panini em um encadernado que reúne as edições 1 a 6 de Mother Panic.

Leia também outras resenhas sobre os títulos da DC´s Young Animal:

MADRE PÂNICO – TRABALHO EM ANDAMENTO

SHADE, A GAROTA MUTÁVEL – É FÁCIL SER TERRÁQUEA

PATRULHA DO DESTINO – PEDAÇO POR PEDAÇO

MADRE PÂNICO – SOB A PELE

SHADE, A GAROTA MUTÁVEL – PEQUENA FUGITIVA.

PATRULHA DO DESTINO – NADA

GUERRAS LÁCTEAS

2 comentários sobre “RESENHA: MADRE PÂNICO – TRABALHO EM ANDAMENTO

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