RESENHA: HELLBLAZER DEMONÍACO VOL. 2 – MASSA CRÍTICA

Por Henry Garrit (Universo Sincronia)

O reencontro com Rich, um velho amigo de Constantine de seus tempos como vocalista da banda punk Membrana Mucosa possibilita que ele repare uma lacuna de seu passado, mas também configura uma nova ameaça quando o filho de Rich é possuído por um demônio que o usa como moeda de troca para manipular o mago, numa ação que não se mostra aleatória, uma vez que o objetivo do ser infernal é restaurar o poder do Primeiro dos Caídos, (não confundir com Lúcifer) que agora vaga pela Terra como um mero mortal. Diante de um dilema impossível, Constantine precisa fazer o impensável, e como sempre o resultado de suas ações vai cobrar seu amargo preço.

Paul Jenkins dá sequencia direta aos eventos do arco anterior, trazendo John de volta ao seu habitat e colocando-o frente à frente com questões pessoais que haviam sido deixadas de lado por um bom tempo. O embate do mago com o Primeiro dos Caídos havia terminado de forma favorável para John, mas estava claro que em algum momento este retornaria, ainda que nesse caso, toda a ação tenha sido orquestrada pelo demônio Buer, um ser especialmente asqueroso devido a sua preferência pela alma de crianças, incluindo Astra, a menina condenada ao inferno por acidente por Constantine, o maior erro de sua vida e parte do que compõe sua personalidade perturbada pela culpa e a desesperança.

A primeira história do encadernado, Pelas Estradas da Terra, fica levemente deslocada das demais, pois apesar de seguir a linha dos acontecimentos, foca no reencontro de John com Rich, sua companheira e filho, e nas lembranças de seu passado juntos, onde através de uma coincidência (apesar do que dizem, na magia e nos roteiros não existem coincidências), ele revela ser capaz de enxergar a manifestação do assim chamado “Tempo-Sonho” e usa esse talento para corrigir uma antiga injustiça. A partir daí, começam as cinco partes de Massa Crítica, onde o tema principal é desenvolvido.

O inferno funciona a partir de regras que nem mesmo o Primeiro dos Caídos pode desobedecer, não por acaso foi numa dessas armadilhas engendradas por Constantine e sua amiga, a súcubo Ellie que ele caiu em desgraça sendo obrigado a viver como um mortal destituído de seu poder e qualquer tipo de regalia infernal. Porém, as regras apesar de rígidas, podem ser burladas, e são nessas brechas que acorrem as maiores sacadas de Constantine (ou contra ele, em outros momentos). O roteiro se aproveita muito bem disso, mesmo sendo difícil superar a jogada de mestre dada pelo mago justamente contra o Primeiro dos Caídos no arco Hábitos Perigosos, escrito por Garth Ennis. Neste caso, não vejo que Jenkins sequer cogitou superar esse feito, mas seu retorno ao tema com o mesmo inimigo, e ainda envolvendo Astra, fundamental para a motivação do personagem, flerta com esse conceito, onde vemos uma demonstração mirabolante de trapaça no nível de um mestre enxadrista, resultando numa reviravolta que, fosse esse o caso, poderia ser uma espécie de encerramento da carreira de John Constantine, com sua vida (na medida do possível) entrando nos eixos. Felizmente para nós leitores, mas para tristeza do mago, o caldo entorna e depois de instigantes idas e vindas, (com participações inusitadas de Aleister Crowley, o Homem Verde (Não o Monstro do Pântano, mas Jack of the Green) e a quase inacreditável aparição do Vingador Fantasma citando Sandman num sonho de Constantine) a edição é encerrada de modo brilhante com o mago sendo quem ele sempre foi; o cara que faz coisas certas do jeito errado, salvando alguns e condenando outros, tendo assim sua psique eternamente assombrada por muitos fantasmas e demônios, mas principalmente pela culpa.

Toda a edição é desenhada pelo talentoso Sean Phillips (exceto o número que ele arte-finaliza os desenhos de Pat McEown), traduzindo a essência e a atmosfera da Vertigo do anos noventa de forma crua e brutal, formando com o roteirista Paul Jenkins uma equipe criativa que felizmente ainda permaneceria por bastante tempo no título.

JOHN CONSTANTINE: HELLBLAZER – DEMONÍACO VOL. 2: MASSA CRÍTICA foi publicado no Brasil pela Panini em um encadernado com as edições 91 a 96 de John Constantine Hellblazer.

Se liga no Santuário e acompanhe com a gente as resenhas de TODOS os volumes de JOHN CONSTANTINE: HELLBLAZER!  

Coleção ORIGENS:

Vol. 1  – PECADOS ORIGINAIS

Vol. 2  – TRIÂNGULOS INFERNAIS

Vol. 3  – NEWCASTLE E A MÁQUINA DO MEDO, ATO I

Vol. 4  – A MÁQUINA DO MEDO – ATO II

Vol. 5 – HISTÓRIAS RARAS

Vol. 6 – O HOMEM DE FAMÍLIA

Vol. 7 – O CORAÇÃO DO MENINO MORTO

Vol. 8 – A HORRORISTA E SANGUE RUIM

Coleção INFERNAL:

Vol. 1 – HÁBITOS PERIGOSOS

Vol. 2  – SANGUE REAL

Vol. 3 – ANJOS E DEMÔNIOS

Vol. 4 – MEDO E DELÍRIO

Vol. 5 – AMOR IMPURO

Vol. 6 – CHAMAS DA PERDIÇÃO

Vol. 7 – UM SACANA NOS PORTÕES DO INFERNO

Vol. 8 – O FILHO DO HOMEM

Coleção DEMONÍACO:

Vol. 1 – TERRENO PERIGOSO

Vol. 2 – MASSA CRÍTICA

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