RESENHA: SHADE, A GAROTA MUTÁVEL – É FÁCIL SER TERRÁQUEA

Por Henry Garrit

Entediada com sua vida na Planeta Meta, Loma sonha em seguir os passos de seu poeta favorito, Rac Shade, que conheceu a Terra anos antes, tendo combatido as faces da loucura usando o Traje L, uma tecnologia atualmente descontinuada justamente por ser volátil e perigosa demais. No entanto, uma oportunidade inusitada surge quando Loma começa a namorar Lepuck, que é segurança do museu onde o traje original está exposto. Com sua ajuda, ela furta o perigoso equipamento sem medir as consequências de seus atos, e de posse dele transfere sua consciência para uma adolescente terráquea em coma. Porém, o que deveria ser apenas um experimento temporário, acaba ganhando terríveis proporções quando ela se vê presa neste corpo, tendo que lidar com os fragmentos de sua consciência enquanto em Meta, a diretora do Departamento de Petições Galácticas Mellu Loran (ex-amante de Rac Shade) não medirá esforços para recuperar o traje e colocar em prática um plano de conquista interplanetário.

Esta é Shade, A Garota Mutável, uma HQ onde tudo é exagerado e extremo e ainda assim presa aos limites da compreensão tanto de Loma quanto dos terráqueos ao seu redor, ou seja, em seus devaneios, ela acaba tentando viver uma vida que não é sua até que o passeio se torne uma prisão com paredes conceituais feitas de tijolos imaginários que misturam fato e ficção, onde a insanidade transborda o tempo todo pelas brechas, num cenário que é ao mesmo tempo uma série de tevê adolescente e ficção científica com toques de drama metafórico e incertezas psicodélicas. Uma aposta arriscada da roteirista Cecil Castellucci, que nos apresenta uma versão totalmente diferente do Shade de Peter Milligan e mais ainda de seu criador, Steve Ditko, o que deve ser celebrado no sentido de fazer jus ao nome da personagem; é impossível acusar a trama de não promover uma profunda mudança, ainda que flerte com o trabalho de Milligan. Seguimos então pelos conflitos de Loma Shade no corpo da adolescente Megan, sua jornada de descoberta, os choques culturais e a interação com os antigos amigos e inimigos da jovem, que conforme ela vai descobrindo aos poucos, era uma verdadeira sociopata odiada e temida pela maior parte das pessoas, incluindo seus pais, e que ainda representa ameaça ao se manifestar mentalmente para Loma. Seu feito irresponsável, além de ter colocado sua própria vida em perigo, ainda deixou seu namorado em maus lençóis no Planeta Meta e acionou a oportunidade perfeita para um ataque à Terra.

A história, apesar de toda sua metafísica, conversa diretamente com um público mais jovem, e adentra seu universo escolar, seguindo a tendência de adequar antigos conceitos para uma nova geração, e não há nada de errado nisso. Apesar de termos alguns momentos tensos, os fãs de aventuras mais robustas com longas cenas de ação poderão ficar decepcionados, mas para quem busca uma série comportamental com muitos “efeitos especiais”, será um prato cheio.

A arte de Marley Zarcone segue o critério mencionado, com um traço caricato e direcionado a essa audiência jovem de modo simples e direto, cumprindo com sucesso a tarefa de apresentar de modo banal a vida alienígena e viagens através dos portais da loucura.

O encadernado ainda traz HQs curtas e ecléticas, com equipes criativas variadas, apresentando como uma espécie de teste com histórias fechadas que poderiam ou não vir a ter seu próprio título dentro do selo Young Animal, com alguns personagens novos e reinvenções de outros, por exemplo Disque H Para Heroína e Moça-Elemento, que se revelaram boas surpresas.

SHADE, A GAROTA MUTÁVEL – É FÁCIL SER TERRÁQUEA foi publicado no Brasil pela Panini em um encadernado que reúne as edições 1 a 6 de Shade, The Changing Girl.

Aproveite e leia nossas resenhas de todos os títulos do selo DC´S YOUNG ANIMAL:

MADRE PÂNICO – TRABALHO EM ANDAMENTO

SHADE, A GAROTA MUTÁVEL – É FÁCIL SER TERRÁQUEA

PATRULHA DO DESTINO – PEDAÇO POR PEDAÇO

MADRE PÂNICO – SOB A PELE

SHADE, A GAROTA MUTÁVEL – PEQUENA FUGITIVA.

PATRULHA DO DESTINO – NADA

GUERRAS LÁCTEAS

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