RESENHA: PATRULHA DO DESTINO – A SÉRIE DE TEVÊ

Por Henry Garrit

O que é a Patrulha do Destino?

Um bando de heróis desajustados, repletos de distúrbios psicológicos, traumas e muito carentes de terapia. Uma típica família disfuncional com poderes que nem sempre conseguem controlar, o que faz deles párias da sociedade. Animador, não é?

Surgidos nos quadrinhos da revista My Greatest Adventure #80, publicada pela DC Comics em 1963, sendo rebatizada como Doom Patrol no número 86, contava com Niles Caulder, o “Chefe”, Cliff Steele, o “Homem-Robô”, Rita Farr, a “Mulher-Elástica” e Larry Trainor, o “Homem-Negativo”. Diversas versões foram criadas no decorrer dos anos, mas a premissa era a mesma: vítimas de acidentes trágicos e salvos por Caulder, os heróis rejeitados contavam com deformidades e complexos, mas mesmo assim, usavam seus poderes contra o mal em suas aventuras.

A Patrulha na Tevê!

Em 2019 estreou a série Doom Patrol, tendo feito primeiro uma participação especial na série dos Titãs, tendo Mutano (Ryan Potter) como a ponte de ligação entre as equipes, ainda que em seu programa solo, tenha ficado estabelecido que sua continuidade se passa numa realidade separada que não se conecta com a atual cronologia da equipe liderada pelo Asa Noturna (Brenton Thwaites). Multiverso. É só isso que tenho a dizer. Multiverso.

As duas primeiras temporadas da Patrulha apresentaram os personagens e seus conceitos, deixando claro que ali, a realidade era um detalhe que não deveria ser levado em consideração. (Não que isso ocorra em séries de super pessoas, mas aqui eles meio que extrapolam um pouquinho a mais). Mesmo apresentando elementos de diversas versões dos quadrinhos, é inegável que a equipe e o tom das histórias escolhidos para o programa foram fortemente inspirados pela fase escrita por Grant Morrison e ilustrada por Richard Case dentro do selo Vertigo, resgatando personagens como Crazy Jane (Diane Guerrero), Danny, a Rua e Dorothy (Abigail Shapiro), e o que já era pra ser uma equipe de personagens bizarros ganhou novas proporções de absurdo, subvertendo o gênero até algo totalmente novo e memorável.

Assim como nos quadrinhos, todos os integrantes passaram por tragédias e experiências de quase morte, sendo salvos e acolhidos por Niles Caulder (Timothy Dalton). Assim temos Rita Farr, a Mulher -Elástica (interpretada por April Bowlby) , Larry Trainer, o Homem-Negativo, (interpretado por Matt Bomer), Jane (é complicado) e Cliff Steele, o Homem-Robô, (interpretado por Brendan Fraser), embora existam outros indivíduos “ajudados” por Caulder através dos anos. E também temos Victor Stone, o Ciborgue, (interpretado por Joivan Wade)  cuja “transformação” não foi operada por Caulder mas por seu pai, Silas Stone. Originalmente (nos quadrinhos) Vic fazia parte dos Novos Titãs e depois da Liga da Justiça, mas na série encontrou seu lugar entre os desajustados da Patrulha do Destino. A presença de Rita no seriado também é uma espécie de “bônus”, visto que ela não faz parte da citada fase de Morrison, mas se mostrou uma personagem fundamental na trama.

De seres de outras dimensões, magos, viajantes no tempo, fantasmas sexuais e o famigerado “Sr. Ninguém“, a Patrulha seguiu resistindo desde o apocalipse eminente até a superação de suas questões pessoais (um trabalho ainda em andamento). Destaque para as participações especiais de Flex Mentallo (Devan Long) e o mago John Constantine Willoughby Kipling, (Mark Sheppard, o eterno Crowley de “Supernatural“) também surgidos na fase da Patrulha dentro do selo Vertigo.

Atualmente exibida pela HBO MAX, a terceira temporada chegou dando continuidade aos tensos eventos ocorridos no embate entre os membros da Patrulha e o tenebroso Candelabro, o qual criou talvez o mais doloroso dilema moral de Niles Caulder, dentre tantas outras escolhas questionáveis e amorais. É fato que ele “salvou” a vida de seus protegidos, mas ao fazer isso os condenou a existências tão profundamente arruinadas que tornou seu sofrimento aquilo que os definia, obrigando-lhes a se entregar a ele ou usá-lo para se tornarem melhores. Essa é a própria essência da Patrulha do Destino que para o bem ou para o mal, precisam usar as ferramentas que têm em mãos para se reinventar ou simplesmente desistir.

Em sua nova temporada, a série segue com essa premissa, mostrando as batalhas de cada um por aceitação (inclusive AUTOaceitação) e a superação de seus traumas físicos e psicológicos ao mesmo tempo em que vivem num cenário onde ainda que façam questão absoluta de frisar que NÃO são uma equipe de super-heróis, acabam se envolvendo em situações extremas que podem alterar o destino do mundo, fazendo com que, alheio a suas vontades, (à exceção do Ciborgue, o único que se entende como um herói) ou qualquer que seja a denominação que escolham, acabam sendo sim um supergrupo de meta-humanos unidos em prol de um bem maior.

Michelle Gomez é a Madame Satã… Digo, Madame Rouge!

Os três primeiros episódios da terceira temporada foram disponibilizados juntos, intitulados como Possibilities Patrol, Vacay Patrol e Dead Patrol, e como dito, apresentam dramas pessoais com um pano de fundo surrealista (ou talvez o movimento artístico correto seja o dadaísmo?), com poucas mudanças narrativas, o que significa que ainda sabemos o que esperar de Patrulha do Destino, ainda que o seja o próprio inesperado, (contraditório, eu sei) nem sempre da forma mais satisfatória possível, mas ainda assim cumprindo seu papel de ser a série com alguns dos personagens mais esquisitos e interessantes da DC. As necessárias mudanças parecem estar ocorrendo aos poucos, o que pode significar um ponto de virada evolutivo para eles, que ao que tudo indica terão que lidar nesta temporada com alienígenas, a Irmandade do Mal e a Madame Rouge (Michelle Gomez) – EXCELENTE – atriz para o papel (dentro de um já ótimo elenco), e também vida após a morte com a participação dos Garotos Detetives Mortos – Personagens surgidos diretamente dos quadrinhos de SANDMAN de Neil Gaiman, o que poderia indicar uma conexão com a série do Senhor do Sonhar na NETFLIX? Bom, creio que não, mas quem sabe? As séries estão sendo produzidas por canais de streaming diferentes e a questão dos direitos é sempre delicada, mas se tem uma coisa que eu aprendi é que se for lucrativo, eles podem sim fazer acontecer!

Fiquem com a gente e leiam em breve as resenhas dos próximos episódios!

RESENHAS DA TERCEIRA TEMPORADA DE PATRULHA DO DESTINO:

Episódios 1, 2 e 3 Possibilities Patrol, Vacay Patrol e Dead Patrol

Episódio 4 Undead Patrol

E abaixo vocês encontram links para TODAS as resenhas dos quadrinhos da PATRULHA DO DESTINO da sua aclamada fase na VERTIGO:

Vol. 1 – Rastejando dos Escombros

Vol. 2  – A Pintura que devorou Paris

Vol. 3 – Rua Paraíso Abaixo

Vol. 4 – Supermusculatura

Vol. 5 – O Ônibus Mágico

Vol. 6 – Planeta Amor

Especial Flex Mentallo

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