RESENHA: MADRE PÂNICO – SOB A PELE

Por Henry Garrit

Violet Paige segue uma cartilha bem conhecida por outros vigilantes: Passado trágico, traumas de infância, pais ausentes, treinamento carrasco. Criada numa instituição supostamente católica, foi secretamente treinada por freiras falsas como uma assassina mortífera, recebendo também implantes que tornaram seu corpo ainda mais forte e resistente, fazendo dela um instrumento bélico a ser usado por ser “benfeitores”… Só que não, uma vez que ela foi capaz de se rebelar e escapar das garras dessa instituição, conquistando a liberdade de ser uma celebridade durante o dia e uma agente de poderio cirúrgico quando necessário, assumindo o nome de Madre Pânico como sarcasmo e insulto contra as pessoas que a torturaram na infância. Mas Violet, ainda que sequer se considere uma heroína, também está longe de ser uma ameaça, trabalhando sob um forte senso de justiça, fazendo bem ao mundo só pelo fato de não ser como os que lhe prejudicaram e também repudiar esse tipo de pessoa, recebendo inclusive o (não solicitado) “selo de aprovação” do morcego de Gotham.

Este segundo encadernado traz de volta a mesma equipe criativa, Jody Houser (roteiro) e John Paul Leon (desenhos – com participação também de Shawn Crystal, Dave Stewart e Jean-Francois Beaulieu) que mantém o bom nível, ao menos interessante o bastante para nos manter na história, que como dito na resenha anterior, acaba sendo o título legal de mais uma (entre tantas) vigilantes de Gotham, mas não apresenta algo exatamente novo, o que se esperaria do selo Young Animal, embora a personagem em si traga algumas particularidades, umas delas muito bem explorada no roteiro, como a necessidade da manutenção dos implantes biológicos que concedem seus “poderes”, o que a obriga necessariamente a ter uma equipe médica e logística de confiança para que ela consiga se manter na ativa.

Com enredos que abordam (de modo compreensível) o passado da personagem que coincidem em casos atuais de modo pessoal, o começo de sua própria “galeria de vilões”, além de aliados improváveis como o regenerado Caça-Ratos, também começa a dar indícios de que ela se interesse em ir além do necessário, o que constrói gradualmente sua identidade através da superação dos traumas (o que felizmente ela parece ser capaz de fazer em velocidade superior a certos bilionários de Gotham) e acabe enveredando por um caminho perigoso e sem volta: O do heroísmo!

Este volume também contém a sequencia e finalização da história secundária apresentada anteriormente, com roteiro de Jim Krueger e arte de Phil Hester, RÁDIO GOTHAM segue com sua premissa interessante, mas ao que parece, contava com poucas páginas para finalizar seu enredo, o que nos rendeu alguns momentos de muito verborragia, porém, apesar de se distanciar da protagonista da série, tendo com ela em comum apenas o fato de que sua história se passa na cidade do Batman, estes obstáculos acabam sendo vencidos, principalmente se contando com a boa vontade do leitor, que é recompensado com uma trama bem construída, ainda que sua resolução deixe um pouco a desejar.

Se Madre Pânico foi uma personagem que usou da notoriedade do Homem-Morcego para cravar presença entre o público, isto a meu ver não se faz mais necessário, inclusive até desejaria que se desvinculasse dele e sua cidade, obtendo assim a chance de criar sua própria mitologia, ainda que as raízes de seu surgimento estejam entrelaçadas com as dele, onde temos cenas que parecem referenciar/homenagear até o famoso seriado de tevê dos anos sessenta, com vilões e cenários extravagantes onde o protagonista é amarrado/acorrentado enquanto o malfeitor revela/se gaba de seus planos. E embora seja uma abordagem válida, Madre Pânico provou que tem potencial para ser muito mais, e sinceramente, espero mesmo que seja.

MADRE PÂNICO Vol. 2 – SOB A PELE foi publicado no Brasil pela Panini em um encadernado que reúne as edições 7 a 12 de Mother Panic.

Aproveite e leia nossas resenhas de todos os títulos do selo DC´S YOUNG ANIMAL:

MADRE PÂNICO – TRABALHO EM ANDAMENTO

SHADE, A GAROTA MUTÁVEL – É FÁCIL SER TERRÁQUEA

PATRULHA DO DESTINO – PEDAÇO POR PEDAÇO

MADRE PÂNICO – SOB A PELE

SHADE, A GAROTA MUTÁVEL – PEQUENA FUGITIVA.

PATRULHA DO DESTINO – NADA

GUERRAS LÁCTEAS

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