RESENHA: PATRULHA DO DESTINO – “DADA PATROL”

Por Henry Garrit

“O que exatamente é dada?”

“É uma coisa insuportável que os franceses criaram para poder fazer filmes grosseiros com nudez e chamar de arte”.

Um dos pontos altos da famosa fase dos quadrinhos da Patrulha do Destino foi seu confronto com a Irmandade do Dada e embora vários desses elementos já tenham sido transportados para a série na figura do Sr. Ninguém (Alan Tudyk) e a pintura que devorou Paris por exemplo, nesta adaptação é a primeira vez que a equipe se depara com eles, ainda que não se considerem uma equipe e em circunstâncias bem diferentes. O objetivo aqui não é comparar as versões de Patrulha do Destino, mas a quem interessar possa, no final da matéria existem links para as resenhas de todas as edições da citada fase dos quadrinhos escritos por Grant Morrison.

Voltando a série, o episódio teve bons momentos, mas deixou a desejar, principalmente depois do louquíssimo e brilhante episódio anterior. O grande problema da expectativa sobre Dada Patrol foi justamente o uso desses antagonistas, que embora corretos e condizentes com a adaptação, soaram repetitivos depois do primeiro contato dos personagens, onde parece que eles ficam presos num tipo de looping infinito de questões existenciais que não levam a lugar nenhum, ou melhor, os levam de volta ao começo, com zero respostas sobre as reais intenções dos vilões e pouquíssimas informações sobre eles. É como se a história tivesse colocado o pé no freio propositalmente, apenas preparando o terreno para os acontecimentos seguintes, o que, embora compreensível, poderia ter sido feito de modo mais dinâmico, sem recorrer a velha fórmula já utilizada na série de separar os personagens e fazê-los vislumbrar seus próprios traumas, recurso já visto inclusive nesta temporada. Nada contra esse tipo de narrativa, desde que não exista apenas como uma muleta para o roteiro, como parece ter sido o caso.

Até mesmo a dinâmica entre Rita Farr (April Bowlby) e Madame Rouge (Michelle Gomez) cuja química é incrível (perfeita junção de ótimas personagens com excelentes atrizes) já começa a se desgastar com a questão desta última não fazer ideia de quem seja e seguir tomando atitudes aleatórias como uma espécie de “líder da equipe” (o que seria interessante, fosse realmente o caso) disparando para todos os lados às cegas, a não ser que ela saiba o que está fazendo e tudo não passe de um teatro, mas até o momento não temos nenhuma confirmação sobre a motivação da personagem, cujo potencial é imenso.

Seguimos então, a passos lentos, com os dramas pessoais de cada um, dentre as quais vale o destaque para Jane (Diane Guerrero) e suas personas em conflito para manter a segurança da jovem Kay Challis (Skye Roberts), a menina que desenvolveu diversas personalidades como forma de se proteger de seus traumas, tendo Jane como dominante, o que pode mudar a qualquer momento, principalmente agora que Kay parece estar se curando e ficando mais confiante… O que nos deixa com a seguinte questão: Se ela realmente se tornar independente e não precisar mais ser protegida, o acontece com essas personas, incluindo Jane? Simplesmente desaparecem?

Dito isto, para além das cenas desperdiçadas com diálogos redundantes que não avançaram em nada a história, houve bons momentos, infelizmente não muitos, mas que revelaram pistas importantes sobre o que deverá acontecer a seguir. Mesmo com este que foi de longe o episódio mais fraco da temporada até o momento, Doom Patrol ainda tem créditos por ser uma das séries mais divertidas dentre as adaptações de quadrinhos, promovendo como bônus a subversão, no melhor sentido da palavra, do gênero dos super-heróis (coisa que já ocorre nos seus quadrinhos), mantendo-se apesar de alguns tropeços, como uma das melhores e mais corajosas adaptações de HQs ao se aventurar em retratar nas telinhas as desventuras dessa inusitada equipe até pouco tempo desconhecida por quem não acompanha esse tipo de publicação.

RESENHAS DA TERCEIRA TEMPORADA DE PATRULHA DO DESTINO:

Episódios 1, 2 e 3: Possibilities Patrol, Vacay Patrol e Dead Patrol

Episódio 4: Undead Patrol

Episódio 5: Dada Patrol

E abaixo vocês encontram links para TODAS as resenhas dos quadrinhos da PATRULHA DO DESTINO na sua aclamada fase na VERTIGO:

Vol. 1 – Rastejando dos Escombros

Vol. 2  – A Pintura que devorou Paris

Vol. 3 – Rua Paraíso Abaixo

Vol. 4 – Supermusculatura

Vol. 5 – O Ônibus Mágico

Vol. 6 – Planeta Amor

Especial Flex Mentallo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s