RESENHA: PATRULHA DO DESTINO – NADA

Por Henry Garrit

Recentemente reunidos após um longo período, os membros da Patrulha do Destino estão juntos novamente e fazendo novos amigos como Casey Brinke. Após resolver questões pessoais e evitar uma invasão alienígena com a ajuda de Danny, a ambulância, (entre outras muitas coisas) eles ainda estão tentando se encaixar no mundo, seja como equipe ou como indivíduos. Infelizmente forças malignas do seu passado também estão atuando, e como num inevitável efeito dominó, vem desmoronando em sua direção.

O volume anterior, além de reestabelecer, resgatar e reunir os personagens que estavam à deriva em diferentes pontos, apresentou além da ameaça dos invasores Vectra e seu repugnante plano maligno de dominação, certos mistérios, alguns dos quais foram ali mesmo sanados, como a inusitada origem de Casey, por exemplo, mas outras questões ficaram em aberto, como a entidade espacial (de um suposto mundo de deuses) que usou Danny para cometer um assassinato celestial causando o trauma que resultou numa nova persona de Jane, uma sociopata controladora de mentes conhecida como Dra. Harrison. Junte a isso Lucius, o filho e de Val e Sam (colega de trabalho de Casey) mexendo com ocultismo, e uma suspeita substância que transformou Loção, o gato dela em um “homem-gato”, dando a ele consciência e características humanas. Pois bem, tudo isso já seria bem insano, mas fica pior quando temos o retorno anunciado da antiga Irmandade do Dada, agora nomeada como Irmandade do Nada num turbilhão de ocorrências caóticas que convergem em desdobramentos metafóricos e revelações desapontadoras mas coerentes que nos fazem questionar a estrutura da continuidade da linha do tempo desses personagens, sendo a mais importante pergunta: Isso realmente importa?

O encadernado abre com uma nítida homenagem aos primórdios da Patrulha, com a história “No Limitadoverso ou robôs emotivos e lobisomens psíquicos: Uma Aventura da Patrulha do Destino” com a apropriada arte de Michael Allred que conta com a controversa aparição de Niles Caulder convencendo-os a ser seu Chefe novamente, apesar de ser notório que suas intenções são dúbias e embora tenho feito muito bem ao mundo, também foi responsável por inúmeras tragédias, incluindo aquelas que culminaram nos acidentes que permitiram a transformação da maioria dos membros da equipe. Essa história fechada e repleta de clichês propositais ocorre antes da trama principal e funciona muito bem como um ponto de partida, separando de forma clara todas as versões anteriores da Patrulha do Destino para sua encarnação atual, sem deixar de destacar tudo o que elas têm em comum.

Temos então o bom uso de novos personagens, como Terry None, colega de quarto de Casey que já dava indícios do que viria a ser, e Lucius, o menino com pretensões à magia e seu envolvimento com a Irmandade do Nada – que valeu cada quadrinho de sua curta aparição – criando subplots onde temos uma verdadeira incursão a um mundo de magia de RPG digno de Dungeons And Dragons que não por acaso ficou muito parecido com a cultuada (aqui no Brasil) animação CAVERNA DO DRAGÃO, mostrando que quando se escreve um título como a Patrulha do Destino é preciso ignorar a palavra “limite” e seus derivados (a menos que esse seja o nome de uma raça alienígena que queira roubar nossos recursos substituindo boas ideais por ideias ruins, mas fora isso…)

Contando com Jeremy Lambert também nos roteiros, Gerard Way nos apresenta mais de sua visão pouco ortodoxa dos quadrinhos, a qual lhe garantiu este emprego e o fez cair na revista perfeita para tanto, beneficiado pela bela arte de Nick Derington, Tom Fowler, Michael Allred e Dan McDaid.

Homem-Negativo, Crazy Jane, Homem-Robô, Flex Mentallo, Danny, Casey e outros que estão chegando… Com seu jeito peculiar e único, a equipe – e somente ela – consegue adentrar os salões do absurdo para (talvez) salvar uma realidade que nem sabia que precisava ser salva. Dividindo momentos surreais com humor e muita aventura, fica impossível não se divertir horrores com esse título, que finaliza com a promessa do retorno de uma antiga integrante e mais perguntas a serem respondidas no evento conhecido como Guerras Lácteas!

PATRULHA DO DESTINO – NADA foi publicada no Brasil pela Panini em um encadernado que reúne as edições 7 a 12 de Doom Patrol.

Aproveite e leia nossas outras resenhas sobre os títulos do selo DC´S YOUNG ANIMAL:

MADRE PÂNICO – TRABALHO EM ANDAMENTO

SHADE, A GAROTA MUTÁVEL – É FÁCIL SER TERRÁQUEA

PATRULHA DO DESTINO – PEDAÇO POR PEDAÇO

MADRE PÂNICO – SOB A PELE

SHADE, A GAROTA MUTÁVEL – PEQUENA FUGITIVA.

PATRULHA DO DESTINO – NADA

GUERRAS LÁCTEAS

Não deixe conferir nossas resenhas de PATRULHA DO DESTINO, A SÉRIE DA HBO MAX:

Episódios: Possibilities Patrol, Vacay Patrol e Dead Patrol

Episódio: Undead Patrol

Episódio: Dada Patrol

Abaixo vocês encontram links para TODAS as resenhas dos quadrinhos da PATRULHA DO DESTINO na sua aclamada fase na VERTIGO:

Vol. 1 – Rastejando dos Escombros

Vol. 2  – A Pintura que devorou Paris

Vol. 3 – Rua Paraíso Abaixo

Vol. 4 – Supermusculatura

Vol. 5 – O Ônibus Mágico

Vol. 6 – Planeta Amor

Especial Flex Mentallo

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